EIXO MOTOR
Caminhões

Scania traz de volta o motor de 11 litros no G430 e quer vender 3 mil caminhões na Fenatran 2026

O motor da linha Super, de 390 e 430 cv, promete até 8% menos diesel e mira o transporte de entrada; a meta de vendas na feira equivale a dois ou três meses da fábrica de São Bernardo do Campo

Scania traz de volta o motor de 11 litros no G430 e quer vender 3 mil caminhões na Fenatran 2026
Imagem: Foto: Scott Barber/Pexels

O que você precisa saber

  • O G430 usa o motor Super de 11 litros, com 430 cv e 2.200 Nm, nas configurações 4x2 e 6x2
  • A versão de 390 cv e 2.000 Nm equipa o P390 8x2 com eixo suspenso e o XT P390 6x4 para fora de estrada
  • A Scania diz que o motor gasta até 8% menos combustível que a geração anterior
  • A meta é vender ao menos 3 mil caminhões na Fenatran, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo
  • Caminhões a gás e biometano já são cerca de 6% das vendas da marca; o objetivo é chegar a 10%

A Scania usou a véspera da Fenatran 2026 para mostrar o lançamento que considera central na feira: o G430, caminhão rodoviário que traz de volta o motor de 11 litros, agora dentro da linha Super. A apresentação à imprensa foi em 15 de outubro.

A marca também divulgou a meta comercial do evento. Quer vender ao menos 3 mil caminhões na Fenatran, que acontece de 9 a 13 de novembro no São Paulo Expo. O volume equivale a dois ou três meses de produção da fábrica de São Bernardo do Campo, cuja trajetória está no perfil da Scania.

O motor que volta

O 11 litros saiu de linha no fim dos anos 1990. Voltou primeiro num chassi de ônibus mostrado na Lat.Bus 2026 e agora chega aos caminhões. Na comparação com o 13 litros, tem menos componentes e pesa menos; o cabeçote é de peça única, feito para suportar pressão interna maior, e a injeção de Arla 32 junto ao turbo melhora a pulverização dos gases.

A promessa principal é de consumo até 8% menor que a geração anterior. Marcelo Gallão, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Scania no Brasil, disse que o motor atingiu maturidade para voltar às aplicações de longa distância.

Publicidade
Anúncio de Motriz Peças (fictício)
MOTRIZ PEÇASPeça no mesmo diaRede de distribuição em doze estados.Consultar peça

| Modelo | Potência e torque | Aplicação | | --- | --- | --- | | G430 4x2 e 6x2 | 430 cv e 2.200 Nm | Rodoviário de longa distância, entrada | | P390 8x2 | 390 cv e 2.000 Nm | Semipesado com eixo suspenso, hortifrúti | | XT P390 6x4 | 390 cv e 2.000 Nm | Fora de estrada: mineração, cana, construção |

O alvo do G430 é o transportador que roda muito e precisa de custo baixo, caso das operações de comércio eletrônico. Eronildo Barros, diretor-geral da Scania Operações Comerciais Brasil, comparou o novo motor ao antigo 113 e disse que a marca amplia as opções de entrada com o mesmo pacote de confiabilidade.

Cabine também muda

As cabines passam a ter acabamento preto de série, encostos de cabeça redesenhados para reduzir lesões no pescoço em batidas, 12 pontos de luz em LED com cor e intensidade ajustáveis, carregador de celular por indução e beliche reclinável.

A conta da linha Super

Desde 2022, a Scania vendeu 25,5 mil caminhões da linha Super para 5 mil clientes. A empresa calcula que eles economizaram 256 milhões de litros de diesel, perto de R$ 1,5 bilhão, num período em que o diesel e o biodiesel pesaram no custo do frotista.

Os caminhões a gás natural e biometano respondem por cerca de 6% das vendas, com 3 mil unidades rodando no Brasil desde 2020. A meta é chegar a 10% em três a cinco anos. Há ainda cerca de 100 caminhões a B100 em circulação e cinco elétricos vendidos.

Chinesas na mesma feira

A Fenatran terá seis marcas chinesas com preços agressivos, entre elas a Sany, que leva dois elétricos inéditos. A resposta da Scania é o custo total de operação: consumo, disponibilidade, serviços, valor de revenda e segurança.

Para o mercado acima de 16 toneladas, a Scania projeta volume estável em relação ao ano anterior, mas espera desaceleração do PIB em 2027. O quadro do ano está nos números de produção de setembro da Anfavea e no ranking dos caminhões mais vendidos. As datas da feira estão no calendário de eventos do Eixo Motor.

Perguntas frequentes

O que é o Scania G430?

É o caminhão rodoviário de longa distância da Scania com o motor Super de 11 litros, de 430 cv e 2.200 Nm. Foi apresentado à imprensa em 15 de outubro de 2026, em versões 4x2 e 6x2, e mira aplicações de entrada com alta rotatividade, como o comércio eletrônico.

Quanto o motor de 11 litros economiza?

A Scania informa consumo até 8% menor que a geração anterior. O motor tem menos componentes e pesa menos que o de 13 litros, usa cabeçote de peça única e injeção de Arla 32 junto ao turbo.

Quais caminhões usam o novo motor?

O G430 rodoviário, com 430 cv; o P390 8x2 com eixo suspenso, voltado ao transporte de hortifrúti; e o XT P390 6x4, para mineração, cana e construção, os dois com 390 cv e 2.000 Nm.

Quantos caminhões a Scania quer vender na Fenatran 2026?

Ao menos 3 mil, somando os pedidos fechados na feira e nas semanas seguintes. O número repete o resultado da edição de 2024 e equivale a dois ou três meses de produção de São Bernardo do Campo.

Quando acontece a Fenatran 2026?

De 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, na capital paulista. A feira terá 13 montadoras de caminhões, seis delas chinesas.

Como a Scania pretende enfrentar os caminhões chineses?

Pelo custo total de operação, o TCO, que soma consumo, disponibilidade, serviços, valor de revenda e segurança. Segundo a marca, as chinesas competem principalmente pelo preço de compra.

Fontes: AutoData, "Scania projeta vender ao menos 3 mil caminhões na Fenatran", 15 de outubro de 2026; AutoIndústria, "Na Fenatran, Scania aposta em opções de entrada", 15 de outubro de 2026; Scania Operações Comerciais Brasil, apresentação à imprensa de 15 de outubro de 2026
Scania||Scania G430||motor 11 litros||linha Super||Fenatran 2026||caminhões pesados||caminhão rodoviário||biometano||TCO||São Bernardo do Campo
Compartilhar esta matéria
WhatsApp LinkedIn
Publicidade
Anúncio de Rodavia Pneus (fictício)
RODAVIA PNEUSAlinhamento em 40 minHora marcada, sem fila, em nove unidades.Ver unidades

Relacionadas

Volvo vai exportar 1.200 caixas I-Shift de Curitiba para a Índia e usar a capacidade parada da fábrica
Caminhões

Volvo vai exportar 1.200 caixas I-Shift de Curitiba para a Índia e usar a capacidade parada da fábrica

A Volvo vai exportar 1.200 transmissões automatizadas I-Shift da fábrica de Curitiba (PR) para a unidade do grupo em Pithampur, na Índia, com embarques que começam agora e seguem até 2027. Segundo a empresa, o contrato aproveita a capacidade instalada da linha brasileira num ano de mercado de caminhões mais fraco. A I-Shift é produzida em Curitiba desde 2011, com mais de 250 mil unidades fabricadas, e a exportação faz parte do ciclo de investimento de R$ 2,5 bilhões da Volvo no Brasil entre 2026 e 2028.

15 de out de 20262 min de leitura
Sany leva dois caminhões elétricos inéditos à Fenatran 2026 e mira R$ 180 milhões em negócios
Caminhões

Sany leva dois caminhões elétricos inéditos à Fenatran 2026 e mira R$ 180 milhões em negócios

A Sany vai apresentar dois caminhões elétricos na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, em São Paulo: o cavalo mecânico 636, 4x2 de 42 toneladas para rodovia, e um 4x2 de 18 toneladas configurado para coleta de resíduos. A marca chinesa, que começou a vender caminhões no Brasil em fevereiro, licenciou 32 unidades até setembro, segundo a Fenabrave, e é a terceira em elétricos. A meta na feira é fechar R$ 180 milhões em negócios. A montagem em Campinas (SP) começa pelo SE588 Composite, mas o atraso dos kits empurrou as primeiras entregas nacionais para o fim de fevereiro ou início de março de 2027.

12 de out de 20263 min de leitura
Produção de caminhões sobe 15% em setembro, mas Anfavea prevê queda maior no ano com o fim do Move Brasil
CaminhõesAnálise

Produção de caminhões sobe 15% em setembro, mas Anfavea prevê queda maior no ano com o fim do Move Brasil

A produção de caminhões no Brasil foi de 11,6 mil unidades em setembro de 2026, alta de 15% sobre setembro de 2025, segundo a Anfavea. O resultado mensal, porém, não muda o ano: de janeiro a setembro foram 92,3 mil caminhões produzidos, queda de 6,4%, e 80,9 mil emplacados, queda de 3,8%. A entidade elevou levemente a projeção de emplacamentos de 2026, para 107 mil (queda de 5,7%), mas cortou a de produção para 115,6 mil (queda de 6,8%) e a de exportação para 22,5 mil (queda de 16,6%). Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, setembro foi provavelmente o último mês de alívio do Move Brasil.

09 de out de 20263 min de leitura