Volvo vai exportar 1.200 caixas I-Shift de Curitiba para a Índia e usar a capacidade parada da fábrica
As transmissões automatizadas seguem para a fábrica do grupo em Pithampur até 2027; Curitiba já produziu mais de 250 mil I-Shift desde 2011 e também embarca 4,1 mil blocos de motor para a Suécia

O que você precisa saber
- A Volvo vai exportar 1.200 transmissões I-Shift de Curitiba para a fábrica do grupo em Pithampur, na Índia
- Os embarques começam agora e vão até 2027
- A empresa diz que o contrato ocupa a capacidade instalada da linha brasileira
- A I-Shift é feita em Curitiba desde 2011 e já passou de 250 mil unidades produzidas no Brasil
- A fábrica também vai mandar mais de 4,1 mil blocos de motor para a Suécia em 2026, dentro do ciclo de R$ 2,5 bilhões de investimento até 2028
A fábrica da Volvo em Curitiba (PR) vai exportar 1.200 transmissões automatizadas I-Shift para a unidade do grupo em Pithampur, no estado indiano de Madhya Pradesh. Os embarques começam agora e seguem até 2027, segundo informação divulgada em 13 de outubro.
A justificativa da empresa é industrial: o contrato aproveita a capacidade instalada da linha de transmissões. A fábrica tem espaço para produzir mais caixas do que o mercado brasileiro está pedindo.
Por que a capacidade sobra
O mercado de caminhões vive um ano de ajuste. A produção de caminhões subiu 15% em setembro, mas o acumulado de 2026 ainda está abaixo do ano passado, e a Anfavea passou a prever queda maior para os pesados com o fim do programa Move Brasil. Juros altos também tiram margem de quem compra, como a DAF já havia apontado ao revisar o tamanho do mercado.
Mesmo nesse cenário, a Volvo segue no topo do segmento pesado: o FH 540 foi o caminhão mais vendido de setembro. Exportar componentes é uma forma de manter a fábrica rodando sem depender só do ritmo das vendas internas.
15 anos de I-Shift brasileira
A I-Shift chegou ao Brasil em 2003, importada da Suécia. Em 2011, a Volvo inaugurou em Curitiba a primeira linha da caixa fora do país de origem. A marca de 100 mil unidades veio em 2020 e, hoje, a produção brasileira passa de 250 mil transmissões. Além de Curitiba, a I-Shift é feita na Suécia e nos Estados Unidos.
A caixa dispensa o pedal de embreagem e decide a troca de marcha com base em velocidade, carga do motor, inclinação da pista e peso transportado. Na prática, isso reduz consumo e desgaste de embreagem e pneus, dois itens pesados no custo por quilômetro do caminhão.
Curitiba como base de exportação
A transmissão não é o único componente que sai do Paraná. Neste ano, a fábrica vai mandar mais de 4,1 mil blocos de motor para a matriz, na Suécia, além de caminhões, ônibus e cabines para outros mercados. A exportação faz parte do ciclo de R$ 2,5 bilhões que a Volvo investe no Brasil entre 2026 e 2028.
O movimento vai na contramão de um setor que importa cada vez mais peças: a balança de autopeças segue deficitária, com a China como principal origem. Outras montadoras de pesados também usam o mercado externo para equilibrar a conta, como a VW Caminhões e Ônibus, que chegou a 200 mil veículos exportados.
O que observar
O volume para a Índia é pequeno perto das 250 mil caixas já feitas, mas abre um destino novo para a linha brasileira. A próxima vitrine da Volvo é a Fenatran, de 9 a 13 de novembro, em São Paulo, que reúne 13 montadoras de caminhão e está no calendário de eventos. A trajetória da fábrica de Curitiba está no perfil da Volvo do Brasil.
Perguntas frequentes
O que a Volvo vai exportar para a Índia?
1.200 transmissões eletrônicas automatizadas I-Shift, fabricadas em Curitiba (PR), com destino à fábrica do grupo em Pithampur, na Índia. Os embarques vão até 2027.
Por que a Volvo exporta transmissões do Brasil?
Segundo a empresa, para aproveitar a capacidade instalada da fábrica de Curitiba. A produção de caminhões no Brasil caiu em 2026, e a exportação de componentes ajuda a manter a linha ocupada.
O que é a caixa I-Shift?
É uma transmissão automatizada usada em caminhões e ônibus Volvo. Dispensa o pedal de embreagem e escolhe a marcha considerando carga, velocidade, inclinação da pista e peso transportado, o que reduz consumo e desgaste.
Desde quando a I-Shift é fabricada no Brasil?
Desde 2011, em Curitiba. Foi a primeira linha da I-Shift fora da Suécia. Antes disso, a caixa era importada; ela chegou ao mercado brasileiro em 2003.
Quantas caixas I-Shift já foram produzidas no Brasil?
Mais de 250 mil unidades desde 2011. A marca de 100 mil foi atingida em 2020.
Onde mais a I-Shift é fabricada?
Na Suécia e nos Estados Unidos, além do Brasil.
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