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Scania no Brasil: a história da fábrica de São Bernardo, a primeira da marca fora da Suécia

Do Ipiranga em 1957 ao meio milhão de caminhões em 2024, o perfil da montadora sueca, seus pioneirismos, os ciclos de investimento e a aposta no gás e no elétrico

Scania no Brasil: a história da fábrica de São Bernardo, a primeira da marca fora da Suécia
Imagem: Foto: Scania/Divulgação

Dado central da análise

500 mil

Caminhões produzidos pela Scania em São Bernardo do Campo até 2024; os primeiros 100 mil levaram 39 anos, os últimos 100 mil, cinco.

O que você precisa saber

  • A Scania-Vabis do Brasil foi constituída em 2 de julho de 1957, no bairro do Ipiranga, em São Paulo
  • A fábrica de São Bernardo do Campo, inaugurada em 8 de dezembro de 1962, foi a primeira da Scania fora da Suécia
  • O complexo tem 427 mil m², nove fábricas e capacidade para 30 mil veículos por ano
  • A marca passou de 500 mil caminhões produzidos no Brasil em 2024
  • Exporta para cerca de 30 mercados, liderados por México, Chile, Argentina e África do Sul
  • O ciclo de investimento atual é de R$ 2 bilhões entre 2025 e 2028
  • Vende caminhões a gás e biometano feitos no Brasil desde 2019 e soma 2.750 unidades
  • Em 2026 fechou as primeiras vendas de caminhão elétrico no país, o cavalo mecânico 30G

Poucas montadoras têm uma história tão ligada ao ABC paulista quanto a Scania. A marca sueca, fundada em 1891, chegou ao Brasil em 1957 e cinco anos depois abriu em São Bernardo do Campo a sua primeira fábrica fora da Suécia. De lá saíram mais de meio milhão de caminhões, boa parte deles os pesados que puxam a safra, o combustível e a carga industrial do país.

Do Ipiranga ao ABC

Em 2 de julho de 1957 foi constituída a Scania-Vabis do Brasil. No começo, os veículos vinham desmontados da Suécia e a montagem ficava a cargo da Vemag. Em maio de 1959 a empresa inaugurou sua própria fábrica de motores no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

O salto veio em 8 de dezembro de 1962, com a inauguração da planta de São Bernardo do Campo, então o grande polo da industrialização automotiva brasileira, ao lado de vizinhas como a Mercedes-Benz, que completa 70 anos no país. Em 1969 a fábrica fez sua primeira exportação para a matriz: 200 bombas de óleo nacionais embarcadas em Santos para os caminhões montados na Suécia.

Os pioneirismos

A própria Scania lista uma série de estreias no mercado brasileiro de pesados:

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| Ano | Novidade | | --- | --- | | 1963 | Direção hidráulica | | 1974 | LK 140, o caminhão cara-chata | | 1983 | Intercooler | | 1998 | Freio auxiliar Retarder | | 2001 | Câmbio automatizado Opticruise | | 2019 | Linha a gás (GNV, GNL e biometano) com a Nova Geração |

A fábrica em números

O complexo de São Bernardo ocupa 427 mil m² e reúne nove fábricas que produzem cabines, chassis, motores, transmissões, ônibus e motores industriais e marítimos. A capacidade é de 30 mil veículos por ano, e a operação funciona como extensão da matriz no sistema global de produção: uma cabine feita no Brasil serve num caminhão montado na Suécia. A unidade exporta para cerca de 30 mercados, liderados por México, Chile, Argentina e África do Sul.

O ritmo de produção acelerou com o tempo. Os primeiros 100 mil caminhões levaram 39 anos. A marca de 200 mil chegou em 2007, a de 400 mil em 2019 e a de 500 mil em 2024, só cinco anos depois.

Três ciclos de investimento em dez anos

| Período | Valor | Destaque | | --- | --- | --- | | 2016 a 2020 | R$ 2,6 bilhões | Nova Geração de caminhões e motores a gás | | 2021 a 2024 | R$ 1,4 bilhão | Fábrica de motores ampliada, centro de P&D e Proconve P8 | | 2025 a 2028 | R$ 2 bilhões | Chassis de ônibus elétricos e descarbonização |

Do ciclo atual, R$ 60 milhões foram para adaptar a linha à produção de chassis de ônibus elétricos, o que fez de São Bernardo a terceira unidade da Scania no mundo a fabricar veículos elétricos.

A aposta no gás e o primeiro elétrico

A Scania foi a primeira a produzir no Brasil caminhões a gás natural e biometano, em 2020, com encomendas abertas na Fenatran do ano anterior. Desde 2019 vendeu 2.750 unidades e prevê 750 só em 2026, mesmo com o mercado de caminhões a gás em queda de 33% até julho, segundo a Anfavea. O combustível conversa com o debate sobre o biodiesel nos filtros da frota e com a busca por alternativas ao diesel caro.

No elétrico, o cavalo mecânico 30G foi lançado na Fenatran de 2024, e as três primeiras unidades foram vendidas no início de 2026, com autonomia de 250 a 300 km. A marca trabalha com corredores de recarga em parceria com embarcadores, discussão que o Eixo Motor detalhou em caminhão elétrico e infraestrutura de recarga.

O momento no mercado

Depois de um 2024 recorde, com mais de 19 mil caminhões vendidos no país, a Scania perdeu participação em 2025, quando o mercado de pesados encolheu. Em 2026, o Move Brasil segurou as vendas: foram 1.250 caminhões na primeira fase e 2.010 caminhões, 260 ônibus e 300 implementos na segunda, cerca de R$ 3 bilhões em negócios pelo Banco Scania. O programa acabou, e o mercado de caminhões ainda acumula queda no ano.

Para recuperar espaço, a marca trouxe de volta em agosto Sílvio Renan como diretor de vendas e soluções, com plano apoiado em financiamento próprio, consórcio, serviços e custo total de operação. A estimativa da empresa é de um mercado estável, perto de 80 mil caminhões acima de 16 toneladas por ano, disputado também pelas marcas chinesas, que serão seis das montadoras na Fenatran 2026.

A Scania faz parte do Grupo Traton, controlado pela Volkswagen, o mesmo da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Para comparar com outros perfis do setor, veja a história da DAF em Ponta Grossa e da Cummins em Guarulhos. As datas das próximas feiras do setor estão no calendário de eventos.

Perguntas frequentes

Quando a Scania chegou ao Brasil?

Em 2 de julho de 1957, com a constituição da Scania-Vabis do Brasil. Os primeiros caminhões eram montados a partir de peças vindas da Suécia, e em 1959 a empresa abriu uma fábrica de motores no Ipiranga, em São Paulo.

Onde fica a fábrica da Scania no Brasil?

Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Inaugurada em 8 de dezembro de 1962, foi a primeira unidade da Scania fora da Suécia e hoje reúne nove fábricas em 427 mil m², com produção de caminhões, ônibus e motores industriais e marítimos.

Quantos caminhões a Scania já fabricou no Brasil?

Passou de 500 mil em 2024. Os primeiros 100 mil levaram 39 anos; a marca de 200 mil veio em 2007, a de 400 mil em 2019 e a de 500 mil cinco anos depois.

Quanto a Scania investe no Brasil?

O ciclo atual é de R$ 2 bilhões entre 2025 e 2028, depois de R$ 2,6 bilhões entre 2016 e 2020 e R$ 1,4 bilhão entre 2021 e 2024. Parte do dinheiro preparou a linha para chassis de ônibus elétricos.

A Scania vende caminhão a gás no Brasil?

Vende. A produção nacional de caminhões a GNV, GNL e biometano começou em 2020 e as encomendas abriram na Fenatran de 2019. Desde então foram 2.750 unidades, e a marca prevê vender 750 só em 2026.

A Scania tem caminhão elétrico no Brasil?

Tem. O cavalo mecânico elétrico 30G foi apresentado na Fenatran de 2024 e as três primeiras unidades foram vendidas no início de 2026, com autonomia de 250 a 300 km conforme carga e relevo.

Qual é a situação da Scania no mercado brasileiro hoje?

Depois do recorde de mais de 19 mil caminhões vendidos em 2024, a marca perdeu participação em 2025 com a queda do mercado. Em 2026 se apoiou no Move Brasil, que somou cerca de R$ 3 bilhões em negócios nas duas fases, e trabalha para recuperar espaço num mercado de cerca de 80 mil caminhões acima de 16 toneladas por ano.

Fontes: Scania Brasil, página Nossa História e comunicados de imprensa (500 mil caminhões, 2024; ciclo de R$ 2 bilhões 2025 a 2028, junho de 2024; 65 anos, 2022); Revista Carga Pesada, linha do tempo da Scania, 2022; AutoData, 31 de agosto de 2026; Transporte Moderno, 10 de agosto de 2026; Transporte Mundial, 12 de fevereiro de 2026; Automotive Business, 27 de março de 2026; AutoIndústria, 17 de novembro de 2025; Frota News, relatório do 1º trimestre de 2026 do Grupo Traton
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