Fenatran 2026 terá 13 montadoras de caminhão, e seis delas são chinesas que somam menos de 2% do mercado
A feira bate recorde com 700 marcas e mais de 100 mil metros quadrados; o tema deixou de ser apenas eletrificação e passou a ser multiplicidade de propulsão, com biometano e biocombustível na mesa

Dado central da análise
Montadoras de caminhão estarão na Fenatran 2026, recorde histórico da feira, e seis delas são asiáticas: XCMG, Sany, Foton, Sinotruck, BYD e JAC.
O que você precisa saber
- A 25ª Fenatran acontece de 9 a 13 de novembro de 2026, no São Paulo Expo
- São 700 marcas, contra 600 em 2024, em mais de 100 mil metros quadrados
- São 13 montadoras de caminhão, recorde histórico da feira
- Sete são tradicionais: Volvo, DAF, VWCO, Scania, Mercedes-Benz, Iveco e Ford
- Seis são asiáticas: XCMG, Sany, Foton, Sinotruck, BYD e JAC
- As seis asiáticas somadas fizeram menos de 1,7% do mercado no primeiro semestre de 2026
- O tema central deixou de ser apenas eletrificação e passou a ser multiplicidade de propulsão, com biocombustível, gás natural, biometano, etanol e elétrico
- O mercado de caminhões acumula queda de 4,9% até agosto, com projeção da Anfavea de queda de 6% no ano
A 25ª Fenatran acontece de 9 a 13 de novembro no São Paulo Expo, e os números do evento já contam parte da história: 700 marcas, contra 600 em 2024, mais de 100 mil metros quadrados, público esperado acima de 70 mil visitantes e expectativa de cerca de R$ 10 bilhões em negócios declarados.
O dado que interessa mais, porém, é outro: 13 montadoras de caminhão, recorde histórico da feira.
A divisão do salão
Tradicionais, sete: Volvo, DAF, VWCO, Scania, Mercedes-Benz, Iveco e Ford.
Asiáticas, seis: XCMG, Sany, Foton, Sinotruck, BYD e JAC.
Quase metade das montadoras presentes vem da Ásia. Em 2024 essa presença era bem menor.
O contraste que vale a matéria
Agora coloque a foto da feira ao lado da foto do mercado.
No primeiro semestre de 2026, o ranking de caminhões ficou assim:
- Volkswagen, 13.496 unidades, 28,10%
- Mercedes-Benz, 13.104 unidades, 27,28%
- Volvo, 8.642 unidades, 17,99%
- Scania, 5.187 unidades, 10,80%
- Iveco, 3.752 unidades, 7,81%
- DAF, 2.844 unidades, 5,92%
- Foton, 665 unidades, 1,38%
- JAC, 136 unidades, 0,28%
- Sany, 24 unidades
Foton, JAC e Sany somadas fazem menos de 1,7% do mercado. As seis primeiras marcas concentram cerca de 90%.
Seis das treze montadoras da feira representam hoje menos de dois em cada cem caminhões vendidos no Brasil. A presença no salão não mede participação; mede intenção. E intenção, no setor de pesados, costuma virar fábrica antes de virar venda.
Vale lembrar que VW e Mercedes-Benz estão em empate técnico, separadas por 392 unidades, ou 0,82 ponto percentual, e que o caminhão mais vendido do país é o VW Delivery 11.180.
O tema mudou
Em 2024 a palavra da feira era eletrificação. Em 2026 é multiplicidade de propulsão.
Thiago Braga Ferreira, gerente executivo da Fenatran, resume a mudança dizendo que não existe uma solução única para todas as operações. Entram na mesma conversa biocombustível, gás natural, biometano, etanol e elétrico.
É uma correção de rota honesta. Os números do elétrico pesado no Brasil, com 368 unidades em 2025 e queda de 23%, mostram por que ninguém está mais tratando a bateria como resposta única. O quadro está em Caminhões elétricos no Brasil e a razão está detalhada em O caminhão elétrico de 500 km já existe, o problema é onde ele recarrega.
Os outros eixos da edição são inteligência artificial, telemetria, gestão de frota e manutenção preditiva, com painel dedicado a frotas conectadas, além do Fórum de Mulheres no Transporte e Logística.
No Fenatran Experience, sete marcas levam veículos para test drive: DAF, Foton, Iveco, Mercedes-Benz, Scania, Sany, que estreia, e VWCO.
O mercado que recebe a feira
O setor chega a novembro em recuperação, mas ainda negativo.
Pelos dados da Anfavea, foram 70,7 mil emplacamentos de janeiro a agosto, queda de 4,9%. A produção somou 80,7 mil, queda de 8,9%. A curva vem melhorando mês a mês: começou o ano em menos 31,1% e chegou a agosto em menos 4,9%. Boa parte dessa recuperação passa pelo programa Move Brasil, que já teve R$ 29,4 bilhões aprovados.
Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, afasta a ideia de alívio no ano e mantém a projeção de queda de 6%.
O acompanhamento mensal está em Venda de caminhões em agosto e o balanço do mês em Caminhões crescem em agosto.
O que esperar de lançamento
Nenhuma montadora detalhou ainda o que leva para a feira. Isso normalmente só sai em outubro.
O que já está anunciado e passa por lá: a VWCO apresenta o furgão Maxus Deliver 9, feito com a SAIC, conforme mostramos em A parceria da VW Caminhões com a SAIC, e a JAC prometeu revelar um lançamento na feira, dentro do plano que inclui caminhões de 3,5, 7 e 11 toneladas e a van elétrica M3 EV.
Perguntas frequentes
Quando e onde é a Fenatran 2026?
De 9 a 13 de novembro de 2026, no São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, em São Paulo. É a 25ª edição da feira.
Quantas marcas estarão na Fenatran 2026?
São 700 marcas, contra 600 na edição de 2024, um crescimento de 16,7%, em mais de 100 mil metros quadrados de área.
Quais montadoras de caminhão estarão na feira?
Treze, recorde histórico. As tradicionais são Volvo, DAF, VWCO, Scania, Mercedes-Benz, Iveco e Ford. As asiáticas são XCMG, Sany, Foton, Sinotruck, BYD e JAC.
Quais marcas farão test drive?
Sete participam do Fenatran Experience: DAF, Foton, Iveco, Mercedes-Benz, Scania, Sany, que estreia, e VWCO. A pista recebe de comerciais leves a extrapesados.
Qual é o tema central da edição?
Multiplicidade de propulsão. Segundo Thiago Braga Ferreira, gerente executivo da feira, não existe uma solução única para todas as operações. Entram na conversa biocombustível, gás natural, biometano, etanol e elétrico, além de inteligência artificial, telemetria e gestão de frota.
Quanto de negócios a feira espera movimentar?
Cerca de R$ 10 bilhões em transações declaradas, com público esperado acima de 70 mil visitantes.
As marcas chinesas já vendem muito no Brasil?
Ainda não. Foton, JAC e Sany somadas fizeram menos de 1,7% do mercado de caminhões no primeiro semestre de 2026. A presença expressiva na feira é aposta de futuro, não reflexo da participação atual.
Como está o mercado de caminhões em 2026?
Em recuperação, mas ainda no vermelho. Foram 70,7 mil emplacamentos de janeiro a agosto pelos dados da Anfavea, queda de 4,9%. A curva vem melhorando mês a mês, saindo de menos 31,1% em janeiro para menos 4,9% em agosto. A projeção da entidade para o ano é de queda de 6%.
Quem lidera o mercado de caminhões no Brasil?
Volkswagen e Mercedes-Benz, praticamente empatadas. No primeiro semestre foram 13.496 unidades da VW, com 28,10%, contra 13.104 da Mercedes-Benz, com 27,28%. A diferença é de 392 unidades. Juntas passam de 55% do mercado.
Qual é o caminhão mais vendido do Brasil?
O VW Delivery 11.180, líder no acumulado de 2026 e também no mês de agosto.
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