Produção de caminhões sobe 15% em setembro, mas Anfavea prevê queda maior no ano com o fim do Move Brasil
Fábricas montaram 11,6 mil caminhões no mês; no acumulado, produção recua 6,4% e exportação 21,3%, e a entidade corta a previsão de produção para 115,6 mil unidades

Dado central da análise
Alta da produção de caminhões em setembro de 2026 sobre setembro de 2025, com 11,6 mil unidades; no ano, a produção ainda cai 6,4%.
O que você precisa saber
- Em setembro de 2026 foram produzidos 11,6 mil caminhões, alta de 15% sobre setembro de 2025 e queda de 1,3% sobre agosto
- Os emplacamentos de setembro somaram 10,2 mil caminhões, alta de 4,4% sobre um ano antes
- De janeiro a setembro, a produção soma 92,3 mil (queda de 6,4%) e os emplacamentos 80,9 mil (queda de 3,8%)
- As exportações de caminhões caem 21,3% no ano, com 17 mil unidades
- A Anfavea projeta 107 mil emplacamentos, 115,6 mil produzidos e 22,5 mil exportados em 2026
- Para a entidade, o efeito do Move Brasil acabou e a queda deve voltar a se acentuar a partir de outubro
As fábricas de caminhões tiveram um setembro melhor que o do ano passado, mas o ano segue no vermelho. Foram 11,6 mil caminhões produzidos no mês, alta de 15% sobre setembro de 2025, segundo a Anfavea. No acumulado de janeiro a setembro, porém, a produção soma 92,3 mil unidades, queda de 6,4%, e a entidade cortou a previsão de produção para o ano.
Os números do mês e do ano
| Indicador | Setembro de 2026 | Janeiro a setembro | Variação no ano | | --- | --- | --- | --- | | Produção | 11,6 mil | 92,3 mil | queda de 6,4% | | Emplacamentos | 10,2 mil | 80,9 mil | queda de 3,8% | | Exportação | não informado | 17 mil | queda de 21,3% |
Os emplacamentos de setembro subiram 2,2% sobre agosto e 4,4% sobre o mesmo mês de 2025. O ranking por modelo, com o Volvo FH 540 na frente, está na lista dos caminhões mais vendidos de setembro.
Projeção: vende um pouco mais, produz menos
A Anfavea mexeu nas três linhas da projeção de 2026 para caminhões, em direções diferentes.
| Indicador | Projeção de junho | Projeção de outubro | Variação sobre 2025 | | --- | --- | --- | --- | | Emplacamentos | 106,7 mil | 107 mil | queda de 5,7% | | Produção | 118,2 mil | 115,6 mil | queda de 6,8% | | Exportação | 25,3 mil | 22,5 mil | queda de 16,6% |
Em 2025, o país licenciou 113,5 mil caminhões e produziu 124,1 mil. A projeção de emplacamentos quase não mudou; o corte maior foi na exportação, que acompanha a perda de mercado na Argentina descrita no balanço geral da Anfavea.
O fim do Move Brasil
Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, setembro foi provavelmente o último mês de alívio. O Move Brasil, programa de renovação de frota que estimulou compras nos últimos meses, já foi encerrado. A queda do mercado, que chegou a 34% em janeiro, vinha perdendo intensidade e deve voltar a se acentuar a partir de outubro, segundo ele.
O motivo central é o custo do dinheiro. Calvet citou a Selic em 13,75% ao ano, acima dos 12% que o setor esperava, o que elevou a inadimplência e travou o crédito. Ele também apontou a falta de previsibilidade, aqui e no exterior, como freio para o transportador renovar a frota. O mesmo diagnóstico aparece na análise sobre juros e margem das fabricantes de caminhões.
O que isso significa para quem roda
Para o transportador, a renovação fica mais cara num momento em que a receita também aperta. O piso mínimo do frete foi reajustado com o diesel a R$ 7,33, mas o setor ainda trabalha com frete abaixo do custo. Quem não quer imobilizar capital tem olhado a locação de caminhões e o mercado de implementos rodoviários como termômetro de demanda.
O próximo teste é a Fenatran, que reúne os lançamentos do setor e entra no calendário de eventos do portal. Seis das 13 montadoras confirmadas são chinesas, como mostrou a prévia da feira, e a disputa por preço pode ajudar a destravar parte da demanda reprimida. Para frotas que avaliam a troca de tecnologia, o caminhão elétrico de 500 km de autonomia e a compra de 251 elétricos pela Navarini mostram até onde a conta já fecha.
Perguntas frequentes
Quantos caminhões foram produzidos em setembro de 2026?
Foram 11,6 mil unidades, alta de 15% sobre setembro de 2025 e queda de 1,3% sobre agosto, segundo a Anfavea.
O mercado de caminhões está crescendo em 2026?
Não no acumulado. De janeiro a setembro, a produção caiu 6,4% e os emplacamentos recuaram 3,8%. Setembro foi um mês de alívio dentro de um ano de queda.
Qual é a projeção da Anfavea para caminhões em 2026?
107 mil emplacamentos (queda de 5,7% sobre 2025), 115,6 mil unidades produzidas (queda de 6,8%) e 22,5 mil exportadas (queda de 16,6%).
O que o Move Brasil tem a ver com os números?
O programa de renovação de frota estimulou compras nos últimos meses. Como já foi encerrado, a Anfavea avalia que setembro foi provavelmente o último mês com esse impulso.
Por que o transportador está adiando a compra?
Juros altos, crédito mais restrito, inadimplência maior e falta de previsibilidade, segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet. A Selic em 13,75% ao ano ficou acima dos 12% que o setor esperava.
As exportações de caminhões também caem?
Sim. Foram 17 mil unidades de janeiro a setembro, queda de 21,3%, e a projeção para o ano caiu de 25,3 mil para 22,5 mil.
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