Transpetro entra no transporte rodoviário com frota de 33 caminhões-tanque a Diesel R e começa no Sul em 2027
A subsidiária da Petrobras investe cerca de R$ 43 milhões nos veículos, opera com a Budel Transportes e vai levar mais de 50 mil toneladas de combustível por mês entre refinarias e terminais do Paraná e do Rio Grande do Sul

O que você precisa saber
- A Transpetro assinou com a Petrobras o primeiro contrato da subsidiária no transporte rodoviário de combustíveis
- São 33 caminhões-tanque, com investimento de cerca de R$ 43 milhões, rodando com Diesel R
- A operação é feita em parceria com a Budel Transportes e começa em janeiro de 2027
- Rotas iniciais: Repar (Araucária, PR) ao Tepar (Paranaguá, PR), cerca de 100 km, e Refap ao Tenit, ambos em Canoas (RS), cerca de 15 km
- O volume previsto passa de 50 mil toneladas por mês, com bunker e óleo combustível
- Os caminhões terão rastreamento, telemetria, câmeras e monitoramento 24 horas
A empresa que move o petróleo da Petrobras por dutos e navios vai para a estrada. A Transpetro assinou com a controladora, na última semana de setembro, o primeiro contrato da subsidiária no transporte rodoviário de combustíveis. A frota terá 33 caminhões-tanque, com investimento de cerca de R$ 43 milhões, e todos vão rodar com Diesel R, o diesel da Petrobras com conteúdo renovável.
A operação será feita em parceria com a Budel Transportes e começa em janeiro de 2027.
Duas rotas curtas, volume alto
| Rota | Distância | Volume previsto | | --- | --- | --- | | Repar (Araucária, PR) ao Tepar (Paranaguá, PR) | cerca de 100 km | cerca de 36 mil t por mês | | Refap ao Tenit, ambos em Canoas (RS) | cerca de 15 km | cerca de 18 mil t por mês | | Total | | mais de 50 mil t por mês |
A carga é bunker, o combustível de navios, e óleo combustível. O abastecimento dos caminhões será feito nas instalações do Sistema Petrobras, na origem e no destino, sem pontos de parada no meio do caminho.
O desenho chama atenção pelo perfil: trechos curtos, carga cativa e giro alto. É o tipo de operação em que a conta do custo por quilômetro depende menos do diesel na estrada e mais do tempo parado em carga e descarga.
Segurança e monitoramento
Os veículos terão rastreamento, telemetria, câmeras e monitoramento 24 horas, além de protocolos de prevenção e resposta a emergências, exigência básica para produto perigoso. A telemetria virou peça central da gestão, como mostrou a nova plataforma da Bosch que mede desperdício de diesel em marcha lenta. Para carga de combustível, entram ainda os seguros obrigatórios fiscalizados eletronicamente pela ANTT.
O que o Diesel R muda na frota
Segundo a Petrobras, o Diesel R leva conteúdo renovável de óleos vegetais e/ou gordura animal. Para uma frota que abastece só em instalação própria, a troca de combustível fica sob controle total da operadora, o que facilita medir consumo e manutenção. O tema é sensível no setor: transportadoras paulistas relataram filtro entupido depois do aumento da mistura de biodiesel, e o preço do diesel segue no centro do custo do transportador.
Por que a Transpetro foi para o asfalto
A Transpetro é a maior subsidiária da Petrobras. Opera 46 terminais, cerca de 8,5 mil km de dutos e 32 navios, e atende mais de 130 clientes. O presidente da empresa, Sergio Bacci, apontou o caminhão como o elo que faltava para ligar ativos próximos e cuidar da última milha. A subsidiária também começa a levar bunker por barcaças na navegação interior, com estreia no Rio de Janeiro.
O rodoviário ainda responde pela maior parte da carga no país, como mostra a matriz de transporte brasileira, e grandes embarcadores vêm discutindo se compram, alugam ou terceirizam a frota. A Transpetro escolheu ter os caminhões e dividir a operação com uma transportadora.
O que observar
O contrato atende só à Petrobras. Qualquer expansão para outros clientes ou rotas depende de estudos de viabilidade, segundo a empresa. Se o modelo for ampliado, a estatal passa a disputar espaço com transportadoras privadas de combustível, um mercado que já convive com piso de frete reajustado e margens apertadas.
Perguntas frequentes
O que a Transpetro vai transportar por rodovia?
Bunker, o combustível de navios, e óleo combustível, entre refinarias e terminais do Sistema Petrobras no Sul. O contrato atende apenas à demanda da própria Petrobras.
Quantos caminhões a Transpetro comprou?
São 33 caminhões-tanque, com investimento de cerca de R$ 43 milhões. A operação é feita em parceria com a Budel Transportes.
Quando começa a operação rodoviária da Transpetro?
Em janeiro de 2027, segundo a empresa.
Quais são as rotas?
Duas no início: da Repar, em Araucária (PR), ao Tepar, em Paranaguá (PR), com cerca de 100 km e 36 mil toneladas por mês; e da Refap ao Tenit, ambos em Canoas (RS), com cerca de 15 km e 18 mil toneladas por mês.
O que é o Diesel R?
É um diesel da Petrobras com conteúdo renovável de óleos vegetais e/ou gordura animal. Os 33 caminhões da Transpetro vão rodar com ele e abastecer nas próprias instalações da Petrobras, sem pontos intermediários.
A Transpetro vai concorrer com transportadoras privadas?
Por enquanto, não. A operação atende só à Petrobras, e qualquer ampliação depende de estudos de viabilidade técnica, operacional e econômico-financeira, segundo a empresa.
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