Mercedes-Benz espera vender 10% menos na Fenatran 2026: juros, Move Brasil e chineses explicam a previsão para caminhões em 2027
Líder em caminhões projeta resultado abaixo do recorde de 2024, vê demanda reprimida por renovação de frota e estima mercado acima de 7 toneladas entre 102 mil e 103 mil unidades no próximo ano

O que você precisa saber
- A Fenatran 2026 acontece de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, e os pedidos fechados lá definem a produção e os emplacamentos do primeiro trimestre de 2027
- A Mercedes-Benz espera negócios cerca de 10% abaixo da Fenatran de 2024, que teve resultado recorde
- Os motivos citados são base de comparação alta, Selic de 13,75% ao ano, crédito escasso e compras antecipadas pelo Move Brasil
- Sete fabricantes chinesas de caminhões vão expor na feira; a marca não espera mudança drástica de participação no curto prazo
- Para 2027, a Mercedes-Benz estima mercado acima de 7 toneladas entre 102 mil e 103 mil unidades, queda de 3% a 5%
- O setor pretende pedir ao próximo governo uma nova rodada do Move Brasil
A Mercedes-Benz chega à Fenatran 2026 esperando fechar menos negócio do que na edição anterior. A previsão da marca é de um resultado cerca de 10% abaixo de 2024, ano em que a feira bateu recorde e a empresa vendeu ali toda a produção de 2025. A estimativa é de Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços de caminhões, e foi apresentada no evento de lançamentos da marca para a feira, que também marcou os 70 anos da Mercedes-Benz no Brasil.
A Fenatran vai de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, e funciona como o principal termômetro do segmento: os pedidos fechados nos estandes viram produção e emplacamento no primeiro trimestre de 2027. As datas de outros eventos do setor estão no calendário de eventos.
Por que a previsão é menor
Ferrarez listou quatro razões:
- Base alta: 2024 foi recorde, impulsionado pela troca de tecnologia para o Euro 6 e por pedidos planejados de grandes frotistas.
- Juros: a Selic está em 13,75% ao ano, e o Boletim Focus projeta 12% só no fim de 2027.
- Crédito escasso: o transportador segue com dificuldade para financiar a frota.
- Compras antecipadas: o Move Brasil aliviou o crédito por um período e puxou pedidos para frente, efeito que já aparecia na produção de caminhões de setembro.
O executivo também citou a confiança do cliente e o efeito do resultado da eleição sobre o humor do mercado.
Demanda reprimida
O outro lado da conta é a frota envelhecida. Segundo Ferrarez, um volume relevante de caminhões deixou de ser trocado nos últimos dois a três anos. A lógica dele é simples: quando manter o caminhão velho rodando custa mais do que pagar os juros do novo, o transportador troca, mesmo com a Selic alta. Mineração, construção e, sobretudo, o comércio eletrônico sustentam essa necessidade. O setor trabalhava com 96% a 97% de disponibilidade da frota; o cliente do e-commerce agora pede mais de 98%, o que exige veículo, manutenção e peça sempre à mão.
Para o próximo ano, a marca estima o mercado de caminhões acima de 7 toneladas entre 102 mil e 103 mil unidades, praticamente no nível projetado para o fim de 2026, o que representa queda de 3% a 5%. O ranking mais recente está nos caminhões mais vendidos de setembro.
Sete chinesas na feira
Esta Fenatran terá sete fabricantes chinesas de caminhões, com preço agressivo e novidades técnicas, como mostra o panorama das montadoras confirmadas na Fenatran 2026 e o elétrico de 42 toneladas da Sany. Ferrarez não espera que uma guerra de preços mude a divisão do mercado no curto prazo. Para ele, o comprador de caminhão pesa o custo total de operação, o valor de revenda e a capacidade de manter o veículo rodando, e é aí que a rede de pós-venda conta mais do que a etiqueta.
Pedido ao próximo governo
Sem programa novo anunciado, o setor quer pedir ao governo que assume em 2027 outra rodada do Move Brasil, com crédito subsidiado para renovar a frota. A aposta é que os juros sigam altos e que, sem esse apoio, a troca continue sendo adiada. O peso dos juros sobre as fabricantes já tinha aparecido no caso da DAF.
Perguntas frequentes
Quando é a Fenatran 2026?
De 9 a 13 de novembro de 2026, no São Paulo Expo, em São Paulo. É a principal feira de transporte de cargas da América Latina e serve de termômetro de pedidos para o ano seguinte.
Por que a Mercedes-Benz espera vender menos na Fenatran?
A empresa cita a base alta de comparação com 2024, ano recorde, os juros altos, a falta de crédito e as compras que o Move Brasil antecipou. Também menciona a confiança dos clientes e o efeito do resultado da eleição.
Quantos caminhões serão vendidos no Brasil em 2027?
A Mercedes-Benz estima que o mercado de caminhões acima de 7 toneladas fique entre 102 mil e 103 mil unidades em 2027, uma queda de 3% a 5% sobre o ano anterior.
Os caminhões chineses ameaçam as marcas tradicionais?
Sete fabricantes chinesas vão expor na Fenatran com preços agressivos. A Mercedes-Benz avalia que, no caminhão, o comprador pesa custo total de operação, valor de revenda e disponibilidade do veículo, e por isso não espera mudança drástica de participação no curto prazo.
O Move Brasil vai continuar em 2027?
Não há programa novo anunciado. O setor pretende pedir ao próximo governo outra rodada de crédito com juros subsidiados para renovação de frota.
O que puxa a renovação de frota?
Mineração, construção e principalmente o comércio eletrônico, que abre centros de distribuição pelo país e exige disponibilidade de frota acima de 98%.
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