EIXO MOTOR
Frotas

Caminhão híbrido na mineração: Unidas Pesados testa modelo chinês que gasta até 32% menos diesel

A locadora negocia um primeiro lote de 10 caminhões diesel-híbridos para operação fora de estrada; a frota dela ainda roda 98% a diesel, e o gás divide a procura em 2026

Caminhão híbrido na mineração: Unidas Pesados testa modelo chinês que gasta até 32% menos diesel
Imagem: Foto: Gansham Ramchandani/Pexels

O que você precisa saber

  • A Unidas Pesados avalia caminhões diesel-híbridos de um fabricante chinês para operações de mineração
  • A negociação envolve um primeiro lote de 10 caminhões; a compra ainda não foi fechada
  • O sistema junta motor a diesel e recuperação de energia elétrica e reduz o consumo de 28% a 32% em mineração
  • O fabricante e o modelo não foram divulgados
  • A locadora tem cerca de 15 mil ativos, dos quais perto de 6 mil são caminhões, e 98% da frota roda a diesel
  • Em 2026, a procura por caminhões fora de estrada para locação se dividiu meio a meio entre gás e diesel
  • A empresa já opera cerca de 300 caminhões semiautônomos no setor sucroenergético, com motorista na cabine

A Unidas Pesados, locadora de caminhões e máquinas pesadas, está testando caminhões diesel-híbridos de um fabricante chinês para operações de mineração e negocia um primeiro lote de 10 unidades. A informação foi dada pelo diretor executivo Lucas Barbosa à AutoData e publicada em 22 de outubro. A compra ainda não está fechada, e nem o fabricante nem o modelo foram revelados.

O argumento é o consumo. Segundo a empresa, o conjunto que junta motor a diesel e recuperação de energia elétrica gasta de 28% a 32% menos combustível em mineração. "É um produto chinês, diesel-híbrido. Ele tem um ganho significativo", resumiu Barbosa.

Por que a mina é o lugar do teste

Operação fora de estrada em mina tem três características que favorecem o híbrido: rota fixa, ambiente controlado e ciclos curtos de carga, descida e frenagem. Cada descida carregada vira energia recuperada, que volta na subida seguinte. Na estrada aberta, com velocidade constante por centenas de quilômetros, o ganho tende a ser bem menor.

Isso também explica por que o teste começa com só 10 caminhões. A frota ainda precisa provar, na prática, que a economia anunciada se sustenta com a carga e o regime de trabalho de cada cliente.

Publicidade
Anúncio de Motriz Peças (fictício)
MOTRIZ PEÇASPeça no mesmo diaRede de distribuição em doze estados.Consultar peça

A frota de hoje

| Indicador | Unidas Pesados | | --- | --- | | Ativos no balanço | cerca de 15 mil | | Caminhões | cerca de 6 mil | | Participação do diesel na frota | cerca de 98% | | Caminhões semiautônomos no setor sucroenergético | cerca de 300, com motorista | | Mecânicos próprios | mais de 200 |

Gás, diesel e híbrido

Em 2026, a procura por caminhões fora de estrada para locação ficou dividida meio a meio entre gás e diesel, segundo Barbosa. O executivo, porém, faz a conta do gás com cautela: o caminhão custa cerca de 10% mais, a manutenção também sai perto de 10% mais cara e o consumo é parecido. "Se você olhar assim, sem uma vantagem diferente, a conta não torna o negócio viável", disse. Quem vai para o gás costuma ter outra razão, como meta de emissão ou acesso a biometano mais barato.

O híbrido entra como terceira via: não exige posto de gás nem estrutura de recarga, como acontece com o caminhão elétrico, e ataca diretamente o maior custo da operação. Com o diesel 20% mais caro que em janeiro, cada ponto percentual de consumo pesa no custo por quilômetro.

O que isso diz sobre a frota pesada

O movimento da Unidas segue uma tendência: o fabricante chinês chega primeiro onde a conta é mais fácil de medir. Foi assim com os 251 caminhões elétricos da XCMG na Navarini, no transporte de grãos, e com a presença das marcas chinesas na Fenatran 2026.

A locação também ajuda a destravar a tecnologia nova. Quem aluga não carrega o risco de revenda nem a manutenção de um trem de força que ainda não tem histórico no Brasil, um tema que aparece na terceirização de frota e no debate sobre quando a eletrificação fecha a conta. "Você tem que vender uma solução, um ecossistema", disse Barbosa.

O tema deve voltar à mesa na Expo Abla 2026, nos dias 28 e 29 de outubro, que reúne as locadoras em São Paulo; a data está no calendário de eventos do setor.

Perguntas frequentes

O que é um caminhão diesel-híbrido?

É um caminhão com motor a diesel combinado a um sistema elétrico que recupera a energia das frenagens e das descidas e a devolve na tração. O diesel continua sendo a fonte principal; a parte elétrica reduz o consumo, sem depender de recarga na tomada.

Por que testar o híbrido justamente na mineração?

Porque a operação de mina tem rota definida, ambiente controlado e muitos ciclos de carga, descida e frenagem, o que favorece a recuperação de energia. É nesse cenário que o fabricante aponta economia de 28% a 32% de diesel.

A Unidas Pesados já comprou os caminhões híbridos?

Não. Segundo o diretor executivo Lucas Barbosa, a empresa está avaliando o produto e negocia um primeiro lote de 10 unidades. O fabricante chinês e o modelo não foram informados.

Como está dividida a frota da Unidas Pesados hoje?

A empresa tem cerca de 15 mil ativos, perto de 6 mil deles caminhões, e cerca de 98% da frota roda a diesel. Em 2026, a demanda de locação de caminhões fora de estrada ficou em torno de 50% a gás e 50% a diesel.

Caminhão a gás compensa mais que o diesel?

Pelas contas citadas por Barbosa, o caminhão a gás custa cerca de 10% mais na compra e tem manutenção cerca de 10% mais cara, com consumo parecido. Sem uma vantagem adicional, como acesso a gás mais barato ou meta ambiental do cliente, a conta não fecha.

Por que a locação ganha espaço nesse tipo de operação?

Porque transfere ao locador o risco de testar tecnologias novas, a manutenção e a revenda. Barbosa disse que a locação é favorável em qualquer cenário e que a empresa vende um ecossistema de serviços, com mais de 200 mecânicos próprios.

Fontes: AutoData, reportagem de Andrea Ramos com entrevista de Lucas Barbosa, diretor executivo da Unidas Pesados, 22 de outubro de 2026
caminhão híbrido||Unidas Pesados||mineração||locação de caminhões||consumo de diesel||caminhão a gás||caminhão chinês||fora de estrada||gestão de frota
Compartilhar esta matéria
WhatsApp LinkedIn
Publicidade
Anúncio de Rodavia Pneus (fictício)
RODAVIA PNEUSAlinhamento em 40 minHora marcada, sem fila, em nove unidades.Ver unidades

Relacionadas

Diesel para de subir em outubro, mas já custa 20% mais que em janeiro; o que isso significa para a frota
FrotasAnálise

Diesel para de subir em outubro, mas já custa 20% mais que em janeiro; o que isso significa para a frota

O preço do diesel S-10 ficou estável na primeira quinzena de outubro de 2026, em torno de R$ 6,94 por litro nos postos de rodovia, segundo a TruckPag, mas acumula alta de 20,1% desde janeiro, quando custava R$ 5,78. O Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostra o diesel comum a R$ 7,20 e o S-10 a R$ 7,46 na média nacional, altas de 6,67% e 5,07% sobre o mesmo período de 2025. Para quem gere frota, a estabilidade não devolve a margem perdida no ano.

20 de out de 20264 min de leitura
Transpetro entra no transporte rodoviário com frota de 33 caminhões-tanque a Diesel R e começa no Sul em 2027
Frotas

Transpetro entra no transporte rodoviário com frota de 33 caminhões-tanque a Diesel R e começa no Sul em 2027

A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, vai operar pela primeira vez no transporte rodoviário de combustíveis. A empresa investe cerca de R$ 43 milhões em 33 caminhões-tanque que vão rodar com Diesel R, combustível da Petrobras com conteúdo renovável, em parceria com a Budel Transportes. A operação começa em janeiro de 2027 em duas rotas no Sul, Repar ao Tepar, no Paraná, e Refap ao Tenit, no Rio Grande do Sul, com mais de 50 mil toneladas por mês. O contrato atende só à demanda da própria Petrobras.

18 de out de 20263 min de leitura
Movida lucra R$ 152,1 milhões no 3º trimestre e bate guidance; o que a prévia diz para quem gere frota
Frotas

Movida lucra R$ 152,1 milhões no 3º trimestre e bate guidance; o que a prévia diz para quem gere frota

A Movida divulgou em 13 de outubro de 2026 uma prévia não auditada do terceiro trimestre com lucro líquido de cerca de R$ 152,1 milhões, alta de 117% sobre o mesmo período de 2025 e acima do guidance de R$ 130 milhões a R$ 150 milhões. A receita bruta de locação foi recorde, de R$ 2,7 bilhões (mais 19%), o Ebitda chegou a R$ 1,8 bilhão (mais 21%) e a empresa vendeu cerca de 20,1 mil seminovos no trimestre. O resultado completo será publicado em 11 de novembro.

17 de out de 20262 min de leitura