EIXO MOTOR
CaminhõesPerfil

Mercedes-Benz faz 70 anos de Brasil com 2,5 milhões de caminhões e ônibus e um terço do emprego que já teve

A montadora que industrializou o transporte rodoviário brasileiro soma mais de 2 milhões de motores e 560 mil comerciais exportados, e hoje opera com cerca de 7.700 empregados contra mais de 20 mil no pico

Mercedes-Benz faz 70 anos de Brasil com 2,5 milhões de caminhões e ônibus e um terço do emprego que já teve
Imagem: Foto: Semih Basaran/Pexels

Dado central da análise

2,5 milhões

Mais de 2,5 milhões de caminhões e ônibus produzidos

O que você precisa saber

  • Caminhões e ônibus produzidos no Brasil: mais de 2,5 milhões
  • Vendidos no mercado interno: mais de 2 milhões
  • Comerciais exportados: cerca de 560 mil, sendo 300 mil caminhões e mais de 260 mil chassis de ônibus
  • Motores produzidos: mais de 2 milhões, com o primeiro milhão em 1984 e o segundo em 2004
  • Quadro atual: cerca de 7.700 empregados, contra pico acima de 20 mil
  • Investimento em Iracemápolis: R$ 600 milhões, em 2016
  • Investimento na linha de montagem 4.0 de São Bernardo do Campo: R$ 500 milhões, em 2018
  • Investimento na fábrica de chassis 4.0: mais de R$ 100 milhões, em 2020

# Mercedes-Benz faz 70 anos de Brasil com 2,5 milhões de caminhões e ônibus e um terço do emprego que já teve

Quando um país decide transportar tudo por estrada, alguém precisa fabricar o caminhão. No Brasil, essa tarefa começou em São Bernardo do Campo em 1956.

Resposta rápida

A Mercedes-Benz completa 70 anos de operação no Brasil com mais de 2,5 milhões de caminhões e ônibus produzidos e mais de 2 milhões vendidos no mercado interno. Foram cerca de 560 mil comerciais exportados, sendo 300 mil caminhões e mais de 260 mil chassis de ônibus, além de mais de 2 milhões de motores fabricados. O quadro atual é de cerca de 7.700 empregados, contra um pico que já superou 20 mil.

A fábrica que veio antes do mercado

A instalação em São Bernardo do Campo não seguiu uma demanda existente; ela ajudou a criar essa demanda.

Publicidade
Anúncio de Motriz Peças (fictício)
MOTRIZ PEÇASPeça no mesmo diaRede de distribuição em doze estados.Consultar peça

O Brasil dos anos 1950 apostou no modal rodoviário como espinha dorsal da integração territorial, e essa aposta só funcionaria com produção local de veículo pesado. O caminhão nacional deixou de ser item de importação e virou bem de capital produzido dentro do país.

O efeito colateral foi mais relevante que o produto. Em torno da linha de montagem formou-se a cadeia de autopeças do ABC paulista, que depois abasteceu praticamente toda a indústria automotiva instalada no Brasil.

Os motores contam a história melhor que os caminhões

Há um marco discreto que resume a escala da operação. O primeiro milhão de motores produzidos foi alcançado em 1984, quase três décadas depois do início. O segundo milhão veio em 2004, vinte anos depois.

A leitura é direta: o ritmo de produção do segundo milhão foi cerca de um terço mais rápido que o do primeiro, e isso aconteceu em um período que inclui duas décadas difíceis para a indústria brasileira.

O motor também explica a exportação. Componente com escala e engenharia madura é o que permite a uma operação local disputar mercado fora, e não o veículo completo.

O ônibus é a parte que o Brasil exportou

Dos cerca de 560 mil comerciais exportados, mais de 260 mil foram chassis de ônibus.

Isso é quase metade da exportação, e não é acidente. O Brasil desenvolveu uma indústria de encarroçamento própria e competitiva, e o chassi produzido aqui virou plataforma para carrocerias vendidas em mercados que compram transporte coletivo pronto para condição de rodagem severa.

Para o setor, esse é o exemplo mais concreto de que a competitividade brasileira em pesados nunca esteve no custo de mão de obra; esteve na engenharia de produto adaptada a piso ruim, carga acima do previsto e manutenção com peça disponível.

O emprego caiu para um terço e isso não é decadência

O número mais desconfortável do balanço é o de pessoal: cerca de 7.700 empregados hoje contra mais de 20 mil no pico.

Tomado isolado, parece encolhimento. Lido junto com a produção acumulada, mostra outra coisa. A fábrica produz hoje mais veículo por pessoa do que em qualquer momento da sua história, resultado dos investimentos em automação, entre eles cerca de R$ 500 milhões na linha de montagem 4.0 de São Bernardo do Campo, em 2018, e mais de R$ 100 milhões na fábrica de chassis 4.0, em 2020.

O investimento de R$ 600 milhões em Iracemápolis, em 2016, segue a mesma lógica de planta nova com densidade tecnológica alta e quadro enxuto.

O que mudou não foi o tamanho da operação; foi a natureza do posto de trabalho dentro dela.

O que 70 anos dizem sobre a disputa de agora

O aniversário chega no momento em que o mercado de pesados recebe novos entrantes com proposta de eletrificação e preço agressivo, movimento visível em contratos como o dos 251 caminhões elétricos da Navarini.

O ativo que 70 anos constroem e que não se compra com investimento inicial é a rede. Peça disponível, oficina autorizada em rota de longa distância e valor de revenda previsível são o que separa um caminhão de um ativo financiável, como mostram os dados de depreciação de comerciais no Selo Maior Valor de Revenda.

Essa é a régua real da disputa dos próximos anos, e ela não é medida em cavalo nem em autonomia.

Perguntas frequentes

Quando a Mercedes-Benz começou a produzir no Brasil?

A operação brasileira começou em São Bernardo do Campo em 1956 e completa 70 anos em 2026.

Quantos caminhões e ônibus a Mercedes-Benz já produziu no Brasil?

Mais de 2,5 milhões de unidades, das quais mais de 2 milhões foram vendidas no mercado interno.

Quanto a operação brasileira já exportou?

Cerca de 560 mil comerciais, sendo 300 mil caminhões e mais de 260 mil chassis de ônibus. O chassi de ônibus responde por quase metade da exportação.

Quantos motores foram produzidos no Brasil?

Mais de 2 milhões. O primeiro milhão foi alcançado em 1984 e o segundo em 2004, ou seja, o segundo milhão levou vinte anos contra quase três décadas do primeiro.

Quantos funcionários a Mercedes-Benz tem no Brasil hoje?

Cerca de 7.700, contra um pico que já superou 20 mil. A queda acompanha investimentos em automação, como os R$ 500 milhões na linha 4.0 de São Bernardo do Campo em 2018.

Qual é a vantagem competitiva construída em 70 anos?

A rede. Peça disponível, oficina autorizada em rota de longa distância e valor de revenda previsível são o que transforma um caminhão em ativo financiável, e isso não se compra com investimento inicial.

Fontes: Mercedes-Benz do Brasil, balanço dos 70 anos de operação no país||Automotive Business, sobre os 70 anos da montadora e a industrialização do transporte rodoviário brasileiro
história da Mercedes-Benz no Brasil||fábrica de São Bernardo do Campo||caminhões Mercedes-Benz||Iracemápolis
Compartilhar esta matéria
WhatsApp LinkedIn
Publicidade
Anúncio de Rodavia Pneus (fictício)
RODAVIA PNEUSAlinhamento em 40 minHora marcada, sem fila, em nove unidades.Ver unidades

Relacionadas

Scania traz de volta o motor de 11 litros no G430 e quer vender 3 mil caminhões na Fenatran 2026
Caminhões

Scania traz de volta o motor de 11 litros no G430 e quer vender 3 mil caminhões na Fenatran 2026

A Scania apresentou em 15 de outubro o G430, caminhão rodoviário 4x2 e 6x2 com o motor Super de 11 litros, de 430 cv e 2.200 Nm, que segundo a marca consome até 8% menos combustível que a geração anterior. O mesmo motor, na versão de 390 cv, equipa o P390 8x2 e o XT P390 6x4 fora de estrada. A empresa projeta vender ao menos 3 mil caminhões na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, volume igual ao da edição de 2024.

16 de out de 20263 min de leitura
Volvo vai exportar 1.200 caixas I-Shift de Curitiba para a Índia e usar a capacidade parada da fábrica
Caminhões

Volvo vai exportar 1.200 caixas I-Shift de Curitiba para a Índia e usar a capacidade parada da fábrica

A Volvo vai exportar 1.200 transmissões automatizadas I-Shift da fábrica de Curitiba (PR) para a unidade do grupo em Pithampur, na Índia, com embarques que começam agora e seguem até 2027. Segundo a empresa, o contrato aproveita a capacidade instalada da linha brasileira num ano de mercado de caminhões mais fraco. A I-Shift é produzida em Curitiba desde 2011, com mais de 250 mil unidades fabricadas, e a exportação faz parte do ciclo de investimento de R$ 2,5 bilhões da Volvo no Brasil entre 2026 e 2028.

15 de out de 20262 min de leitura
Sany leva dois caminhões elétricos inéditos à Fenatran 2026 e mira R$ 180 milhões em negócios
Caminhões

Sany leva dois caminhões elétricos inéditos à Fenatran 2026 e mira R$ 180 milhões em negócios

A Sany vai apresentar dois caminhões elétricos na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, em São Paulo: o cavalo mecânico 636, 4x2 de 42 toneladas para rodovia, e um 4x2 de 18 toneladas configurado para coleta de resíduos. A marca chinesa, que começou a vender caminhões no Brasil em fevereiro, licenciou 32 unidades até setembro, segundo a Fenabrave, e é a terceira em elétricos. A meta na feira é fechar R$ 180 milhões em negócios. A montagem em Campinas (SP) começa pelo SE588 Composite, mas o atraso dos kits empurrou as primeiras entregas nacionais para o fim de fevereiro ou início de março de 2027.

12 de out de 20263 min de leitura