Juros tiram a margem do caminhão, diz DAF; mercado de pesados deve fechar 2026 abaixo de 2025
Diretor comercial da marca projeta de 80 mil a 82 mil caminhões acima de 16 toneladas neste ano, contra cerca de 86 mil em 2025, e cita alta de recuperações judiciais entre transportadores

O que você precisa saber
- A DAF projeta de 80 mil a 82 mil caminhões acima de 16 toneladas vendidos no Brasil em 2026
- Em 2025, o mesmo mercado somou cerca de 86 mil unidades
- O diretor comercial Luís Gambim afirma que os juros altos acabaram com a margem na venda de caminhões
- Ele cita aumento de inadimplência e de pedidos de recuperação judicial entre transportadores
- A DAF vendeu 1,6 mil caminhões pelo programa Move Brasil, o equivalente a R$ 1,2 bilhão
- A participação da marca no segmento rodoviário acima de 16 toneladas está entre 13,5% e 14%
- A expectativa para 2027 é de estabilidade, com demanda reprimida por renovação de frota
- A DAF quer crescer em caminhões vocacionais e semipesados para depender menos do rodoviário de longa distância
O mercado de caminhões pesados caminha para fechar 2026 menor do que no ano passado, e a DAF diz que o motivo tem nome: juros. Em avaliação publicada pela AutoData em 24 de setembro, o diretor comercial da marca, Luís Gambim, resumiu o momento dizendo que não sobrou margem na venda de caminhões.
A projeção da empresa é de 80 mil a 82 mil unidades acima de 16 toneladas em 2026. Em 2025, esse mercado somou cerca de 86 mil. A diferença representa uma queda entre 5% e 7%.
Onde o juro aperta
O caminhão pesado é quase sempre comprado a prazo. Quando a taxa sobe, a parcela cresce e o transportador adia a troca, mesmo com a frota envelhecendo. O panorama do financiamento de veículos e a queda do consórcio de pesados mostram o mesmo movimento pelo lado do crédito.
Segundo Gambim, o custo de produção subiu e os reajustes de preço não foram suficientes para recompor a margem. Na outra ponta, o transportador sofre com o diesel mais caro em setembro e com um frete que segue abaixo do custo. O executivo relatou aumento de inadimplência e um número elevado de recuperações judiciais entre clientes.
O efeito Move Brasil
O programa federal de renovação de frota segurou parte das vendas no primeiro semestre. A DAF vendeu 1,6 mil caminhões pelo Move Brasil, o equivalente a R$ 1,2 bilhão. O efeito, porém, perde força na segunda metade do ano, como já indicava o balanço de agosto da Anfavea.
| Indicador | Número | | --- | --- | | Mercado acima de 16 t em 2025 | cerca de 86 mil | | Projeção DAF para 2026 | 80 mil a 82 mil | | Vendas da DAF pelo Move Brasil | 1,6 mil caminhões | | Valor dessas vendas | R$ 1,2 bilhão | | Fatia da DAF no rodoviário acima de 16 t | 13,5% a 14% |
A estratégia para depender menos da estrada
Com o rodoviário de longa distância sob pressão, a DAF quer ampliar a presença em caminhões vocacionais e semipesados, que atendem construção, coleta, distribuição regional e aplicações específicas. A ideia é diluir o risco em mais segmentos e usar produtos novos para ganhar participação.
É uma leitura que conversa com o avanço da terceirização de frota: quando comprar fica caro, locadoras e contratos de serviço ganham espaço.
2027 e a Fenatran
Para o próximo ano, a DAF espera estabilidade. A demanda por renovação existe, mas depende de crédito mais barato para virar pedido. A Fenatran, em novembro, deve funcionar como a largada das negociações de 2027, com 13 montadoras e seis marcas chinesas disputando o mesmo cliente. As datas estão no calendário de eventos do setor.
Para o frotista, a mensagem é prática: a condição de pagamento vai pesar tanto quanto o preço de tabela na próxima compra. Vale refazer a conta do custo por quilômetro antes de assinar.
Perguntas frequentes
Quantos caminhões pesados devem ser vendidos no Brasil em 2026?
A DAF projeta entre 80 mil e 82 mil caminhões acima de 16 toneladas, abaixo das cerca de 86 mil unidades de 2025.
Por que o mercado de caminhões está em queda em 2026?
Principalmente pelos juros altos, que encarecem o financiamento, adiam a renovação de frota e reduzem a margem de toda a cadeia, da fábrica ao transportador.
O que é o Move Brasil?
É o programa federal de crédito para renovação de frota de caminhões. A DAF vendeu 1,6 mil unidades por ele, somando R$ 1,2 bilhão, mas o efeito perde força no segundo semestre de 2026.
Qual é a participação da DAF no mercado de caminhões?
Entre 13,5% e 14% no segmento rodoviário acima de 16 toneladas, segundo a própria empresa.
O que esperar do mercado de caminhões em 2027?
A DAF espera estabilidade. Há demanda reprimida por renovação de frota, mas ela depende de crédito mais barato para se converter em venda.
Qual o papel da Fenatran para 2027?
A feira, em novembro, é tratada pelas montadoras como o ponto de partida das negociações e do planejamento de 2027.
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