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Caminhão elétrico no Brasil: 162 unidades no semestre e queda de 15,3%

Enquanto o mundo eletrifica carga, o Brasil recua; marcas chinesas respondem por cerca de 89% do que foi emplacado, com a JAC sozinha em 60%

Caminhão elétrico no Brasil: 162 unidades no semestre e queda de 15,3%
Imagem: Foto: Gustavo Fring/Pexels

Dado central da análise

0,4%

O que você precisa saber

  • Foram 162 caminhões elétricos emplacados no primeiro semestre de 2026, contra 190 em 2025
  • A queda foi de 15,3%, na contramão do mercado global
  • A JAC emplacou 98 unidades e detém mais de 60% do segmento
  • JAC, Foton e Sany somam cerca de 89% do mercado
  • O elétrico é 0,4% das vendas de caminhões no Brasil, contra 9% no mundo e 26% na China

O Brasil emplacou 162 caminhões elétricos no primeiro semestre de 2026, contra 190 no mesmo período de 2025. É uma queda de 15,3% em um segmento que cresce no resto do mundo.

O contraste é o dado central: o elétrico responde por 0,4% das vendas de caminhões no Brasil, contra cerca de 9% no mercado global e 26% na China.

Quem vende caminhão elétrico no Brasil

A JAC Motors licenciou 98 unidades entre janeiro e junho, mais de 60% do total. Foton aparece com 24 unidades, Sany com 22, Volkswagen Caminhões e Ônibus com 9, Tesla e Nanjing com 3 cada e Mercedes-Benz com 2.

Somadas, JAC, Foton e Sany respondem por cerca de 89% do mercado. O segmento elétrico de carga no Brasil é, hoje, essencialmente um mercado de marcas chinesas.

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Por que o volume cai

Três variáveis explicam o recuo, e nenhuma delas é ambiental.

A primeira é preço de aquisição. Um elétrico custa significativamente mais que o equivalente a diesel, e o transportador brasileiro compra ativo com base em prazo de retorno, não em posicionamento.

A segunda é infraestrutura. Sem recarga confiável em rota, o elétrico fica confinado à operação urbana de retorno à base, que é um recorte estreito do transporte brasileiro.

A terceira é valor residual. Ninguém sabe ainda quanto vale um caminhão elétrico usado com cinco anos no Brasil, e essa incerteza entra na conta de quem financia.

Onde o elétrico já fecha a conta

A frota da JAC descreve bem o nicho viável: E-JT3.5, de 3.495 kg de peso bruto e cerca de 230 km de autonomia, e modelos urbanos como o iEV 1200T. No topo da linha, o E-JT18.0 chega a 500 km.

São perfis de última milha e distribuição urbana, em que o veículo roda rota conhecida, volta para a base e recarrega parado. É o mesmo raciocínio que fez as locadoras crescerem 159% em eletrificados: quando o risco de residual fica com terceiro, a adoção acelera.

O que observar

O anúncio de modelos pesados, na faixa de 60 toneladas, muda a conversa apenas se vier acompanhado de rede de recarga e de política de recompra. Enquanto isso não existir, o elétrico continuará disputando um segmento pequeno, enquanto o mercado de caminhões a diesel segue definindo o resultado do setor.

Esta é uma análise da redação do Eixo Motor. Projeções e leituras de cenário são interpretação, não fato consumado.

Perguntas frequentes

Quantos caminhões elétricos foram vendidos no Brasil em 2026?

Foram 162 unidades emplacadas no primeiro semestre de 2026, queda de 15,3% frente às 190 do mesmo período de 2025.

Qual marca lidera o mercado de caminhão elétrico no Brasil?

A JAC Motors, com 98 unidades no semestre, mais de 60% do segmento. Foton aparece com 24 e Sany com 22.

Qual a autonomia de um caminhão elétrico no Brasil?

Varia por modelo. Entre os da JAC, o E-JT3.5, de 3.495 kg de peso bruto, tem cerca de 230 km, e o E-JT18.0 chega a 500 km.

Por que o caminhão elétrico ainda é pouco usado no Brasil?

O elétrico representa 0,4% das vendas de caminhões no país. Os fatores são o preço de aquisição, a ausência de infraestrutura de recarga em rota e a incerteza sobre o valor de revenda do ativo.

Fontes: Fenabrave, emplacamentos de caminhões elétricos • Canal Diesel, JAC Motors lidera mercado brasileiro de caminhões elétricos no primeiro semestre de 2026
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