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Subsídio aos ônibus de São Paulo ganha mais R$ 665 milhões em outubro e chega a R$ 6,9 bilhões em 2026

A Prefeitura autorizou a SPTrans a empenhar R$ 393,8 milhões para as empresas de ônibus, segundo reforço do mês; de 2016 a 2025, a compensação tarifária subiu 179% em valores nominais, cerca de 80% acima da inflação

Subsídio aos ônibus de São Paulo ganha mais R$ 665 milhões em outubro e chega a R$ 6,9 bilhões em 2026
Imagem: Foto: Caroline Cagnin/Pexels

Dado central da análise

R$ 7,12 bilhões

Em subsídio aos ônibus de São Paulo em 2025, contra R$ 2,55 bilhões em 2016: alta nominal de 179% e real de cerca de 80%.

O que você precisa saber

  • Em 19 de outubro de 2026, a SPTrans foi autorizada a empenhar R$ 393,86 milhões para pagar as empresas de ônibus
  • O valor é o crédito aberto pelo Decreto nº 65.627, com recursos de excesso de arrecadação; não é dinheiro novo além desse crédito nem pagamento já feito
  • Somado ao reforço de R$ 271,76 milhões de 5 de outubro, o mês teve R$ 665,6 milhões a mais para subsídio
  • O orçamento das compensações tarifárias de 2026 sobe de R$ 6,23 bilhões para cerca de R$ 6,89 bilhões, 10,7% acima do previsto
  • De 2016 a 2025, o subsídio passou de R$ 2,55 bilhões para R$ 7,12 bilhões, alta nominal de 179% e real de cerca de 80%
  • A proposta de orçamento de 2027 prevê R$ 7,35 bilhões em subsídios e ainda depende da Câmara Municipal

A Prefeitura de São Paulo autorizou em 19 de outubro a SPTrans a empenhar R$ 393,86 milhões para remunerar as concessionárias de ônibus. O valor corresponde ao crédito suplementar aberto pelo Decreto nº 65.627, assinado em 15 de outubro, com recursos de excesso de arrecadação. Empenho é a reserva do dinheiro no orçamento; o despacho não significa que o valor já chegou às empresas.

Foi o segundo reforço do mês. Em 5 de outubro, outro decreto abriu crédito de R$ 271,76 milhões para a mesma finalidade. Juntos, os dois somam R$ 665,6 milhões.

Como fica o orçamento de 2026

| Item | Valor | | --- | --- | | Dotação original das compensações tarifárias | R$ 6,23 bilhões | | Reforço de 5 de outubro | R$ 271,76 milhões | | Reforço de 15 de outubro (empenho autorizado em 19/10) | R$ 393,86 milhões | | Total após os reforços | cerca de R$ 6,89 bilhões | | Alta sobre o previsto | 10,7% |

O crédito de 15 de outubro se divide em R$ 260,56 milhões para contribuições correntes e R$ 133,3 milhões para contribuições de capital. O orçamento consolidado ainda pode ter outras alterações até o fim do ano.

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Dez anos de subsídio

O levantamento publicado pelo Diário do Transporte reúne os relatórios oficiais desde 2016:

| Ano | Subsídio (R$ bilhões) | Variação no ano | | --- | --- | --- | | 2016 | 2,55 | | | 2017 | 2,90 | +13,8% | | 2018 | 3,02 | +4,0% | | 2019 | 3,11 | +3,1% | | 2020 | 3,32 | +6,6% | | 2021 | 3,30 | -0,5% | | 2022 | 4,89 | +48,2% | | 2023 | 5,30 | +8,4% | | 2024 | 6,70 | +26,4% | | 2025 | 7,12 | +6,3% |

A alta nominal de 2016 a 2025 foi de 179%. Com o IPCA acumulado de cerca de 55% no período, o aumento real fica em torno de 80%. Corrigidos pela inflação, os R$ 2,55 bilhões de 2016 equivaleriam a cerca de R$ 3,95 bilhões; o valor de 2025 supera essa referência em cerca de R$ 3,17 bilhões.

Há uma ressalva de método. Parte dos valores de 2022, 2023 e 2024 inclui pagamentos referentes a anos anteriores, como os R$ 531,4 milhões de 2021 lançados em 2022. Isso explica parte dos saltos nesses anos.

Por que a conta cresce

O subsídio cobre a diferença entre o custo do sistema e o que entra pela catraca. A pandemia derrubou a demanda sem que a oferta pudesse cair na mesma proporção, e a contenção da tarifa ampliou o espaço entre arrecadação e custo. O IPCA, além disso, não mede os custos específicos do ônibus: diesel, salários, manutenção, gratuidades e integrações sobem em ritmo próprio. O diesel, por exemplo, acumula alta de cerca de 20% em 2026.

O passageiro também mudou de hábito. A pesquisa do Seade mostrou que o aplicativo de transporte já faz parte da rotina de 76% dos paulistas, e a disputa por esse usuário pesa na receita tarifária. O debate sobre quem paga a conta aparece também nas cidades que adotaram a tarifa zero.

O que vem em 2027

A proposta de orçamento de 2027 prevê R$ 7,35 bilhões em subsídios, cerca de 18% acima do orçamento original de 2026 e 6,6% acima do valor já reforçado. O texto reserva ainda cerca de R$ 2,19 bilhões para eletrificação da frota e gestão do transporte e R$ 500 milhões para ônibus a biometano. A proposta depende de votação na Câmara Municipal.

A eletrificação é o outro lado da conta. A cidade passou de 2 mil ônibus elétricos sem cumprir a meta que era para 2024, e a Prefeitura admitiu ritmo menor por limitação da rede de energia. O Rio seguiu outro caminho, com uma PPP de R$ 509 milhões para 175 ônibus elétricos. As projeções nacionais estão em ônibus elétrico no Brasil até 2030.

O que observar

Dois números vão dizer se o reforço de outubro basta: o valor efetivamente pago às empresas até dezembro e a versão final do orçamento de 2027 aprovada pela Câmara. No domingo, 25 de outubro, dia do segundo turno, a cidade volta a oferecer ônibus, metrô e trens gratuitos, como fez no primeiro turno.

Perguntas frequentes

Quanto São Paulo gasta com subsídio de ônibus?

O orçamento original de 2026 para as compensações tarifárias era de R$ 6,23 bilhões. Com os dois reforços de outubro, o valor chega a cerca de R$ 6,89 bilhões. Em 2025, o subsídio somou R$ 7,12 bilhões, segundo os relatórios reunidos pelo Diário do Transporte.

O que é o subsídio aos ônibus?

É a compensação que a Prefeitura paga às empresas de ônibus para cobrir a diferença entre o custo do sistema e o que é arrecadado com as passagens. Ele banca gratuidades, integrações e a tarifa mantida abaixo do custo real da viagem.

Por que o subsídio dos ônibus de São Paulo cresceu tanto?

Entre os fatores estão a queda de passageiros na pandemia sem redução equivalente da oferta, a contenção das tarifas, o custo do diesel, salários, manutenção, gratuidades e integrações. O aumento acima da inflação, sozinho, não prova eficiência nem ineficiência do sistema.

O reforço de R$ 393,8 milhões é dinheiro novo?

Não. O despacho de 19 de outubro autoriza o empenho do crédito suplementar aberto pelo Decreto nº 65.627, de 15 de outubro, com recursos de excesso de arrecadação. Empenho é a reserva do dinheiro no orçamento; não significa que o valor já foi pago às empresas.

Quanto o subsídio subiu acima da inflação?

De 2016 a 2025, a alta nominal foi de 179%. O IPCA acumulado no período foi de cerca de 55%, o que deixa um aumento real estimado em cerca de 80%. Corrigidos pela inflação, os R$ 2,55 bilhões de 2016 equivaleriam a cerca de R$ 3,95 bilhões.

Quanto está previsto para 2027?

A proposta orçamentária de 2027 prevê R$ 7,35 bilhões em subsídios, cerca de 18% acima do orçamento original de 2026, além de cerca de R$ 2,19 bilhões para eletrificação da frota e gestão do transporte e R$ 500 milhões para renovação com ônibus a biometano. O texto ainda precisa ser votado na Câmara Municipal.

Fontes: Prefeitura de São Paulo, despacho da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte publicado em 19 de outubro de 2026 e Decreto nº 65.627, de 15 de outubro de 2026; Diário do Transporte, levantamento dos subsídios de 2016 a 2025, 19 de outubro de 2026; proposta orçamentária do Município de São Paulo para 2027
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