Matriz de transporte do Brasil: quanto cada modal realmente move
Portos com 1,4 bilhão de toneladas, ferrovias com 555 milhões e um ciclo rodoviário de R$ 148 bilhões; os números lado a lado explicam por que o caminhão continua decidindo o custo logístico

Dado central da análise
O que você precisa saber
- Os portos movimentaram 1,40 bilhão de toneladas em 2025, alta de 6,1%
- As ferrovias transportaram 555,48 milhões de toneladas úteis, alta de 2,57%
- O minério de ferro responde por 72% da carga ferroviária e 30% da portuária
- O ciclo rodoviário de 2026 prevê 13 leilões, 8.500 km e R$ 148 bilhões
- O caminhão faz a ponta de quase toda carga, o que o torna o item que define o custo final
Colocar os números lado a lado ajuda a entender por que o custo logístico brasileiro não cai com anúncio de investimento isolado.
Em 2025, os portos movimentaram 1,40 bilhão de toneladas, alta de 6,1%. As ferrovias transportaram 555,48 milhões de toneladas úteis, alta de 2,57%. E o rodoviário entra em 2026 com 13 leilões de concessão, 8.500 km e R$ 148 bilhões previstos.
Volume não é o mesmo que participação
O erro comum é ler tonelagem como fatia de mercado. Não é.
O minério de ferro responde por 72% da carga ferroviária brasileira e por 30% da portuária. Ou seja: os dois modais que aparecem com números maiores estão, em boa medida, movendo o mesmo produto, no mesmo corredor, entre mina e porto.
Tire o minério da conta e a fotografia muda. O que sobra de carga geral, fracionada, refrigerada e de consumo anda majoritariamente sobre pneu.
Por que o caminhão define o custo
Mesmo quando a carga viaja de trem ou de navio no trecho longo, ela começa e termina em um caminhão. Coleta, transbordo e entrega final são rodoviários.
Isso significa que variações no preço do diesel, no pedágio ou no piso mínimo de frete se propagam por praticamente toda a cadeia, independentemente de qual modal fez o meio do caminho.
O que realmente mudaria a matriz
Três condições precisam ocorrer juntas.
- Capilaridade ferroviária para carga geral, e não apenas corredores de exportação de commodity
- Terminais intermodais que tornem o transbordo barato o suficiente para compensar a quebra de carga
- Cabotagem com frequência e previsibilidade que permitam substituir trecho rodoviário longo
Nenhuma delas se resolve com investimento em um modal isolado. É por isso que o número que interessa acompanhar nos próximos anos não é a tonelagem de cada modal, e sim a fatia não mineral de cada um.
Esta é uma análise da redação do Eixo Motor. Projeções e leituras de cenário são interpretação, não fato consumado.
Perguntas frequentes
Qual o modal mais usado no transporte de carga no Brasil?
O rodoviário, tanto em número de operações quanto em participação no custo logístico. Ferrovia e cabotagem movimentam grandes volumes, mas concentrados em poucas cargas e corredores.
Quanta carga o Brasil movimenta por porto e por ferrovia?
Em 2025, os portos movimentaram 1,40 bilhão de toneladas e as ferrovias, 555,48 milhões de toneladas úteis.
Por que o Brasil depende tanto do caminhão?
Porque ferrovia e porto atendem corredores específicos, sobretudo de minério e grão. A carga fracionada, a distribuição urbana e a ponta final de quase toda cadeia dependem do rodoviário.
O que muda a matriz de transporte brasileira?
Três coisas ao mesmo tempo: capilaridade ferroviária para carga geral, terminais intermodais que reduzam custo de transbordo e cabotagem competitiva. Investimento em um só modal não altera a matriz.
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