Ônibus elétricos em São Paulo passam de 2 mil, mas a cidade ainda não alcançou a meta que era para 2024
A frota chegou a 2.009 veículos com a entrega de mais 250 ônibus financiados pelo BNDES; a meta da Prefeitura previa 2.600 elétricos, 20% da frota, dois anos atrás

O que você precisa saber
- São Paulo tinha 2.009 ônibus elétricos em 30 de setembro de 2026
- São 1.821 ônibus a bateria e 188 trólebus
- A última entrega trouxe 250 veículos, 49 deles articulados, por R$ 547,7 milhões do BNDES
- A meta era ter 2.600 elétricos em 2024, o equivalente a 20% da frota municipal
- Em 2024, a cidade tinha só 502 elétricos: 301 a bateria e 201 trólebus
- A frota elétrica evita 70 milhões de litros de diesel e 174 mil toneladas de CO2 por ano
- Um ônibus a diesel gasta cerca de R$ 25 mil por mês em combustível; o elétrico, R$ 5 mil em energia
- Há R$ 2,5 bilhões do BNDES para mais 1.300 ônibus e US$ 248,3 milhões do BIRD e do BID cada
São Paulo passou a marca de 2 mil ônibus elétricos em operação. Com a entrega de mais 250 veículos, sendo 49 articulados, a frota chegou a 2.009 unidades em 30 de setembro de 2026: 1.821 ônibus a bateria e 188 trólebus. O lote custou R$ 547,7 milhões, financiados pelo BNDES.
É a maior frota de ônibus elétricos do Brasil e a segunda da América Latina. O número, porém, ainda fica abaixo do que a própria cidade tinha prometido para dois anos atrás.
A meta que ficou para trás
O plano da Prefeitura previa 2.600 ônibus elétricos em 2024, o equivalente a 20% da frota municipal. Quando 2024 terminou, havia só 502: 301 a bateria e 201 trólebus. A virada veio depois, com a proibição de compra de novos ônibus a diesel pelas operadoras e o crédito do BNDES, que multiplicou a frota por quatro em menos de dois anos.
| Momento | Ônibus elétricos | Situação | | --- | --- | --- | | Meta para 2024 | 2.600 | 20% da frota municipal | | Resultado de 2024 | 502 | 301 a bateria e 201 trólebus | | Setembro de 2026 | 2.009 | 1.821 a bateria e 188 trólebus | | Diferença para a meta | cerca de 600 | ainda pendente |
A conta que convence as operadoras
O argumento econômico ajuda a explicar a aceleração. Pelos números da Prefeitura, um ônibus a diesel gasta em média R$ 25 mil por mês em combustível. O elétrico gasta cerca de R$ 5 mil em energia. Num momento de diesel em alta, a diferença de R$ 20 mil por veículo ao mês pesa no custo do sistema.
O ganho ambiental também aparece: a frota atual deixa de queimar cerca de 70 milhões de litros de diesel e evita 174 mil toneladas de CO2 por ano.
O obstáculo é o investimento inicial. O ônibus elétrico custa bem mais caro na compra, e a infraestrutura de recarga exige obra e reforço da rede elétrica nas garagens. Hoje a cidade tem 30 áreas de recarga. É o mesmo gargalo que aparece na rede de eletropostos e no caminhão elétrico de longa distância.
O dinheiro para os próximos lotes
O financiamento já está contratado para seguir. O BNDES tem R$ 2,5 bilhões reservados para mais 1.300 ônibus, e em agosto de 2026 o Banco Mundial (BIRD) e o BID aprovaram US$ 248,3 milhões cada para a eletrificação do transporte paulistano. Se os lotes forem entregues, a cidade passa com folga da meta original.
São Paulo e o resto do país
Outras capitais seguem o mesmo caminho, com modelos diferentes. O Rio de Janeiro aposta numa PPP de 175 ônibus elétricos com garagem própria na Maré, e as projeções para a frota elétrica do país até 2030 mostram que o ônibus deve ser a porta de entrada da eletrificação no transporte pesado.
O debate sobre o custo do sistema também passa pela tarifa zero, já adotada em várias cidades. Neste domingo, muitas delas liberam o ônibus grátis no dia da eleição. Os eventos de mobilidade elétrica do semestre estão no calendário do Eixo Motor.
Perguntas frequentes
Quantos ônibus elétricos tem São Paulo?
São 2.009 em 30 de setembro de 2026: 1.821 ônibus a bateria e 188 trólebus. É a maior frota de ônibus elétricos do Brasil e a segunda da América Latina.
São Paulo cumpriu a meta de ônibus elétricos?
Não. A meta previa 2.600 ônibus elétricos, 20% da frota municipal, em 2024. Naquele ano havia 502, e mesmo hoje a cidade está cerca de 600 veículos abaixo do número prometido.
Quanto custa um ônibus elétrico para operar?
Segundo a Prefeitura, um ônibus a diesel gasta em média R$ 25 mil por mês com combustível, enquanto o elétrico gasta cerca de R$ 5 mil com eletricidade.
Quem financia os ônibus elétricos de São Paulo?
Principalmente o BNDES, que financiou o último lote de 250 ônibus com R$ 547,7 milhões e tem R$ 2,5 bilhões para mais 1.300 veículos. Em agosto de 2026, o BIRD e o BID aprovaram US$ 248,3 milhões cada.
Qual o ganho ambiental dos ônibus elétricos em São Paulo?
A frota atual deixa de consumir cerca de 70 milhões de litros de diesel e evita 174 mil toneladas de CO2 por ano.
Onde os ônibus elétricos de São Paulo são recarregados?
Em 30 áreas de recarga espalhadas pela cidade, a maior parte dentro das garagens das operadoras.
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