Aplicativo de transporte já faz parte da rotina de 76% dos paulistas, mostra pesquisa do Seade
Levantamento com 8.189 moradores do estado indica que 77% veem o aplicativo como saída quando ônibus, trem ou metrô demoram; entre quem usa o transporte público, o índice chega a 80%

Dado central da análise
Parcela de moradores adultos do Estado de São Paulo que usam aplicativo de transporte, contra 57% que usam transporte público, segundo o Seade.
O que você precisa saber
- 76% dos moradores adultos do Estado de São Paulo usam aplicativo de transporte; 26% com frequência e 50% de forma ocasional
- 57% usam transporte público, e 37% o fazem com frequência
- 77% concordam que o aplicativo ajuda quando o coletivo demora ou é difícil de usar; entre usuários do transporte público, 80%
- Entre quem usa aplicativo, 40% aumentaram o uso e 13% começaram a usar nos 12 meses anteriores à entrevista
- Nas famílias com renda de até um salário mínimo, 74% usam transporte público; acima de dez salários, 26%
- A pesquisa ouviu 8.189 pessoas por telefone em maio e junho de 2026 e mede hábito declarado, não divisão das viagens
Três em cada quatro moradores adultos do Estado de São Paulo usam aplicativo de transporte. A pesquisa "Mobilidade da população e transporte de passageiros por aplicativos", da Fundação Seade, mostra que 76% recorrem às plataformas, contra 57% que usam ônibus, trem ou metrô. O dado mais incômodo para os operadores do coletivo vem em seguida: 77% concordam que o aplicativo ajuda quando o transporte público demora ou é difícil de usar.
Os números da pesquisa
| Indicador | Resultado | | --- | --- | | Usam aplicativo de transporte | 76% (26% com frequência, 50% ocasionalmente) | | Usam transporte público | 57% (37% com frequência) | | Veem o aplicativo como saída quando o coletivo falha | 77% (80% entre usuários do coletivo) | | Aumentaram o uso de aplicativo nos últimos 12 meses | 40% dos usuários | | Começaram a usar aplicativo nos últimos 12 meses | 13% dos usuários |
O Seade ouviu 8.189 pessoas com 18 anos ou mais, por telefone e com sistema automatizado, em maio e junho de 2026. O resultado saiu em outubro, no Seade SP Social.
Quem usa o quê
A renda separa os dois mundos. Nas famílias que ganham até um salário mínimo, 74% usam transporte público; nas que ganham mais de dez salários, 26%. Entre os mais pobres que não usam aplicativo, 30% apontam o preço da corrida como motivo.
Na leitura do pesquisador Irineu Barreto, do Seade, o aplicativo funciona como alternativa e como complemento das viagens de ônibus, metrô e trem, e não como substituto puro. É o caso de quem pega um carro até a estação ou volta de aplicativo depois de uma espera longa no ponto. O mesmo raciocínio vale para a moto por aplicativo, que avançou nas periferias justamente onde o coletivo demora mais.
O que a pesquisa não diz
Os percentuais são hábito declarado. A pesquisa não mede a participação de cada modo no total de viagens, não conta quantos passageiros deixaram o ônibus e não atribui o crescimento das plataformas apenas às falhas do transporte público. Também não mediu atrasos por linha nem extensão de corredores. Usar o número como prova de que o metrô perdeu passageiros para o aplicativo seria ir além do que o dado permite.
O recado para o transporte coletivo
Mesmo com essas ressalvas, o número de 77% funciona como termômetro de confiança. Quando o passageiro já conta com um plano B no celular, cada atraso no ponto empurra a viagem para fora do sistema público. A capital paulista ainda está longe da meta de 2 mil ônibus elétricos, e o Rio aposta em PPP para 175 ônibus elétricos para renovar a frota. Medidas pontuais, como o ônibus grátis no dia da eleição, mostram que a demanda reprimida aparece quando a tarifa sai da conta.
Para Paulo Guimarães, diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, o desafio é usar esses dados para integrar os modos de transporte. A Política Nacional de Mobilidade Urbana já prevê prioridade ao coletivo e integração entre sistemas; falta transformar o hábito do passageiro em planejamento.
O outro lado: quem dirige
O crescimento das plataformas também tem efeito sobre quem trabalha nelas. Motoristas e motociclistas de aplicativo seguem com baixa cobertura previdenciária, e a MP dos motoboys caducou sem resolver a regulamentação. Para quem vive da corrida, o Move Brasil com teto de R$ 200 mil abriu uma via de financiamento do carro de trabalho.
Com uma frota circulante de 82 milhões de veículos e uma matriz de transporte ainda concentrada no asfalto, o dado do Seade mostra que o paulista já combina modos no dia a dia. A integração que ele faz no celular ainda não existe no planejamento das cidades.
Perguntas frequentes
Quantos paulistas usam aplicativo de transporte?
Segundo a Fundação Seade, 76% dos moradores com 18 anos ou mais do Estado de São Paulo usam aplicativos de transporte: 26% com frequência e 50% de forma ocasional.
Quantos paulistas usam transporte público?
57% dos entrevistados disseram usar ônibus, trem ou metrô, e 37% usam com frequência.
O aplicativo está substituindo o ônibus e o metrô?
A pesquisa não permite essa conclusão. Ela mede hábitos declarados e não calcula quantas viagens migraram do coletivo para o aplicativo. O que ela mostra é que 77% veem o aplicativo como apoio quando o transporte público demora ou é difícil de usar.
Como a pesquisa do Seade foi feita?
Foram 8.189 entrevistas por telefone, com sistema automatizado, em maio e junho de 2026, com moradores do estado de 18 anos ou mais.
A renda muda o uso do transporte público?
Sim. Nas famílias com renda de até um salário mínimo, 74% usam transporte público; nas famílias com mais de dez salários, 26%. Entre os mais pobres que não usam aplicativo, 30% citam o custo como motivo.
O uso de aplicativos está crescendo?
Entre os usuários, 40% disseram ter aumentado a frequência e 13% começaram a usar nos 12 meses anteriores à entrevista.
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