Tarifa zero chega a 143 cidades, mas oito já cancelaram por falta de dinheiro
O modelo atende 5,4 milhões de pessoas; universalizar custaria entre R$ 90,7 bilhões e R$ 100 bilhões por ano, contra R$ 75,7 bilhões gastos hoje

O que você precisa saber
- São 143 municípios brasileiros com tarifa zero, atendendo 5,4 milhões de pessoas
- Oito cidades cancelaram ou restringiram o benefício, entre elas Monte Mor, Paulínia e Porto Real
- São Paulo concentra cerca de 30 municípios e Minas Gerais, entre 25 e 26
- O transporte por ônibus custa hoje cerca de R$ 75,7 bilhões por ano no país
- Universalizar a gratuidade custaria entre R$ 90,7 bilhões e R$ 100 bilhões anuais
A tarifa zero no transporte público brasileiro chegou a 143 municípios em 2026, atendendo cerca de 5,4 milhões de pessoas. No mesmo período, oito cidades cancelaram ou restringiram o benefício.
Entre as que recuaram estão Monte Mor, Paulínia e Porto Real. São Caetano do Sul restringiu a gratuidade a residentes cadastrados. Entre as que mantêm ou ampliaram, aparecem Guararema, Santa Isabel, Canoas, Itaboraí e Balneário Camboriú.
O mapa do modelo
São Paulo concentra cerca de 30 municípios, Minas Gerais entre 25 e 26, Paraná de 11 a 12, Santa Catarina 8 e Rio Grande do Sul 3. A adesão cresceu em ondas: 31 cidades em 2023, 8 em 2024 e 16 entre junho de 2025 e junho de 2026.
O efeito na demanda é real
Em doze cidades estudadas, o crescimento no número de viagens variou de 33% a 371%. Em Balneário Camboriú, o aumento foi de 43%.
Esse é o argumento mais forte do modelo: gratuidade não apenas redistribui renda, ela gera viagem que antes não acontecia. Em cidade média, isso significa acesso a emprego, escola e serviço de saúde que estavam fora do alcance por causa da tarifa.
Onde a conta trava
O transporte urbano por ônibus custa hoje cerca de R$ 75,7 bilhões por ano no Brasil. Universalizar a gratuidade custaria entre R$ 90,7 bilhões e R$ 100 bilhões anuais, porque a demanda adicional exigiria ampliar a frota em cerca de 20%.
O dado comprova que o otimismo político esbarrou na dura realidade dos limites fiscais. Francisco Christovam, diretor-presidente da NTU
Há propostas de custeio em discussão. O PL 4.177/2025 prevê substituir o desconto de 6% do vale-transporte por outra fonte, com arrecadação estimada em R$ 100 bilhões por ano. O Marco Legal do Transporte Público, PL 3.278/21, aguarda sanção.
Por que isso interessa ao setor automotivo
Transporte público barato e frequente é o principal concorrente do veículo individual em deslocamento urbano. Quando ele falha, a demanda migra para carro, moto e aplicativo, exatamente como se vê na queda de passageiros do ônibus interestadual em trechos curtos e no avanço da moto de entrega nas locadoras.
Perguntas frequentes
Quantas cidades têm tarifa zero no Brasil?
143 municípios em 2026, atendendo cerca de 5,4 milhões de pessoas. Oito cidades já cancelaram ou restringiram o modelo.
Quanto custa a tarifa zero no Brasil?
O transporte urbano por ônibus custa hoje cerca de R$ 75,7 bilhões por ano. A universalização da gratuidade custaria entre R$ 90,7 bilhões e R$ 100 bilhões anuais, porque exigiria ampliar a frota em cerca de 20%.
A tarifa zero aumenta o número de passageiros?
Sim. Em doze cidades estudadas, o crescimento de viagens variou de 33% a 371%. Em Balneário Camboriú, o aumento foi de 43%.
Como a tarifa zero é financiada?
Depende do município: orçamento próprio, taxas específicas ou contribuição de empresas. Há propostas em discussão no Congresso, como o PL 4.177/2025, que substituiria o desconto de 6% do vale-transporte por outra fonte de custeio.
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