Diesel em 2026: ICMS sobe para R$ 1,17 por litro e aperta a margem do transportador
O aumento de R$ 0,05 por litro entrou em vigor em 1º de janeiro pelos Convênios ICMS 112/2025 e 113/2025; o combustível já responde por 30% a 40% do custo operacional

O que você precisa saber
- O ICMS sobre o diesel passou de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro, alta de 4,4%
- A mudança entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, pelos Convênios ICMS 112/2025 e 113/2025
- O preço médio do diesel S10 está acima de R$ 6,40 por litro
- O combustível responde por 30% a 40% do custo operacional do transporte rodoviário
- Em uma operação de 50 viagens ao mês, um aumento de R$ 0,15 por litro representa cerca de R$ 3 mil mensais
O ICMS sobre o diesel passou de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro em 2026, alta de 4,4%. A mudança entrou em vigor em 1º de janeiro, pelos Convênios ICMS nº 112/2025 e 113/2025, do Confaz, e veio junto com a retirada de incentivo emergencial que abatia parte do valor no litro.
O preço médio do diesel S10 está acima de R$ 6,40 por litro.
Por que cinco centavos importam
Cinco centavos parecem pouco isolados. Não são, porque o diesel responde por 30% a 40% do custo operacional do transporte rodoviário de cargas. É o maior item da planilha, acima de manutenção, pneus e depreciação.
Em uma operação com 50 viagens mensais, uma variação de R$ 0,15 por litro representa cerca de R$ 3 mil por mês, ou R$ 36 mil por ano. Para uma transportadora de margem apertada, essa é a diferença entre trocar e não trocar um caminhão no ano.
O problema não é o aumento, é a defasagem
O sistema brasileiro tem um mecanismo de correção: a tabela de piso mínimo de frete da ANTT é reajustada considerando o preço do diesel e a variação do IPCA.
O problema é o intervalo. O combustível sobe na bomba no dia seguinte à decisão; a tabela é revisada em ciclos. Entre um evento e outro, quem absorve a diferença é o transportador, especialmente o autônomo, que não tem contrato de longo prazo para renegociar.
O efeito na renovação de frota
Custo alto e frete defasado produzem a mesma consequência: adiar a compra. É por isso que as vendas de caminhões acumulam queda de 4,8% no ano mesmo com a economia crescendo.
A conta do transportador é simples. Enquanto o caminhão antigo estiver pago e a manutenção couber no fluxo de caixa, ele roda. A decisão de trocar não é técnica, é financeira.
O que observar
Dois indicadores dizem se a situação melhora: o intervalo entre reajustes da tabela da ANTT e o comportamento do diesel na bomba. Se os dois convergirem, a renovação de frota volta. Se continuarem descolados, o mercado de pesados segue no ritmo atual.
Perguntas frequentes
Quanto é o ICMS do diesel em 2026?
R$ 1,17 por litro, valor fixado pelos Convênios ICMS nº 112/2025 e 113/2025, do Confaz, em vigor desde 1º de janeiro de 2026. Antes era R$ 1,12.
Quanto o diesel pesa no custo do frete?
Entre 30% e 40% do custo operacional de uma transportadora, o que faz do combustível o item de maior impacto na formação do preço do frete.
O aumento do ICMS pode ser repassado ao frete?
O piso mínimo de frete da ANTT é reajustado considerando a variação do preço do diesel, mas o repasse efetivo depende da negociação com o embarcador e do nível de concorrência na rota.
Qual o preço médio do diesel S10 em 2026?
Acima de R$ 6,40 por litro, segundo o levantamento de preços da ANP citado no período.
Relacionadas

Scania traz de volta o motor de 11 litros no G430 e quer vender 3 mil caminhões na Fenatran 2026
A Scania apresentou em 15 de outubro o G430, caminhão rodoviário 4x2 e 6x2 com o motor Super de 11 litros, de 430 cv e 2.200 Nm, que segundo a marca consome até 8% menos combustível que a geração anterior. O mesmo motor, na versão de 390 cv, equipa o P390 8x2 e o XT P390 6x4 fora de estrada. A empresa projeta vender ao menos 3 mil caminhões na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, volume igual ao da edição de 2024.

Volvo vai exportar 1.200 caixas I-Shift de Curitiba para a Índia e usar a capacidade parada da fábrica
A Volvo vai exportar 1.200 transmissões automatizadas I-Shift da fábrica de Curitiba (PR) para a unidade do grupo em Pithampur, na Índia, com embarques que começam agora e seguem até 2027. Segundo a empresa, o contrato aproveita a capacidade instalada da linha brasileira num ano de mercado de caminhões mais fraco. A I-Shift é produzida em Curitiba desde 2011, com mais de 250 mil unidades fabricadas, e a exportação faz parte do ciclo de investimento de R$ 2,5 bilhões da Volvo no Brasil entre 2026 e 2028.

Sany leva dois caminhões elétricos inéditos à Fenatran 2026 e mira R$ 180 milhões em negócios
A Sany vai apresentar dois caminhões elétricos na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, em São Paulo: o cavalo mecânico 636, 4x2 de 42 toneladas para rodovia, e um 4x2 de 18 toneladas configurado para coleta de resíduos. A marca chinesa, que começou a vender caminhões no Brasil em fevereiro, licenciou 32 unidades até setembro, segundo a Fenabrave, e é a terceira em elétricos. A meta na feira é fechar R$ 180 milhões em negócios. A montagem em Campinas (SP) começa pelo SE588 Composite, mas o atraso dos kits empurrou as primeiras entregas nacionais para o fim de fevereiro ou início de março de 2027.