Só um em cada cinco motociclistas de aplicativo tem cobertura previdenciária, aponta o IBGE
O país tem 405 mil motociclistas plataformizados e 905 mil motoristas de aplicativo; o número de motociclistas praticamente dobrou em três anos, mas a proteção social ficou para trás

Dado central da análise
Dos motociclistas de aplicativo do Brasil têm cobertura previdenciária, o equivalente a 79 mil de um total de 405 mil trabalhadores, segundo o IBGE.
O que você precisa saber
- O Brasil tem cerca de 405 mil pessoas trabalhando como motociclistas de aplicativos
- Apenas 79 mil deles têm cobertura previdenciária, o equivalente a 19,4%, um em cada cinco
- Entre todos os ocupados do setor privado no país, a cobertura previdenciária é de 62,4%
- De 2024 para 2025 o número de motociclistas plataformizados cresceu 15,4%; de 2022 a 2025 praticamente dobrou
- Os motoristas de aplicativo somam 905 mil pessoas, com 25,5% de cobertura previdenciária
- Motoristas plataformizados trabalham 45,9 horas por semana e ganham R$ 14,4 por hora, contra 40,4 horas e R$ 16 dos não plataformizados
O Brasil tem cerca de 405 mil pessoas trabalhando como motociclistas de aplicativos, entre transporte de passageiros e entrega de comida e produtos. Desses, apenas 79 mil têm cobertura previdenciária, o equivalente a 19,4%, um em cada cinco. Os dados são do módulo especial sobre trabalho em plataformas digitais da Pnad Contínua, do IBGE, divulgado em 4 de setembro de 2026 com informações coletadas em 2025.
Para efeito de comparação, entre todas as pessoas ocupadas no setor privado brasileiro a cobertura previdenciária é de 62,4%. Considerando todos os motociclistas do país, plataformizados ou não, o índice é de 31%.
A categoria dobrou em três anos
O ritmo de crescimento explica por que o tema saiu da margem e virou pauta econômica:
- de 2024 para 2025: alta de 15,4% no número de motociclistas plataformizados
- de 2022 a 2025: de 211 mil para 405 mil pessoas, praticamente o dobro
Esse contingente é a mesma base que sustenta o boom de emplacamentos de duas rodas, analisado em Mercado de motos cresce 12,1% e chega a 1,57 milhão de unidades até agosto, e o avanço do transporte por aplicativo mostrado em Moto por aplicativo puxa o crescimento da mobilidade urbana.
Os motoristas de carro seguem o mesmo padrão
A Pnad também mediu os motoristas de aplicativo: 905 mil pessoas em 2025, crescimento de 9,8% sobre o ano anterior e de 26% em três anos, quando eram 718 mil.
Entre eles, apenas 25,5% têm cobertura previdenciária. Considerando todos os motoristas do país, o índice é de 43,8%.
Mais horas por menos dinheiro
O dado que fecha o quadro é o da jornada. Em 2025:
- motoristas plataformizados: 45,9 horas semanais e R$ 14,4 por hora
- motoristas não plataformizados: 40,4 horas semanais e R$ 16 por hora
São 5,5 horas a mais por semana para ganhar R$ 1,60 a menos por hora trabalhada.
A leitura não é que o aplicativo empobrece o motorista. É que a modalidade cresce oferecendo entrada fácil e proteção baixa, e o custo disso aparece depois, quando o trabalhador adoece, se acidenta ou se aposenta.
Por que isso interessa ao setor automotivo
Três razões práticas.
Renovação de frota. Quem trabalha sem proteção social também costuma financiar veículo em condições piores, tema tratado em Financiamento de veículos cresce em 2026.
Locação. A dificuldade de comprar empurra o trabalhador para o aluguel, movimento que aparece em Locadoras apostam em motos e eletrificados para diversificar em 2026.
Regulação. A discussão legislativa sobre o vínculo e a proteção desses trabalhadores está em Regulamentação dos motoristas de aplicativo.
O que acompanhar
O próximo módulo da Pnad dirá se a cobertura previdenciária acompanhou o crescimento da categoria ou se a distância aumentou. Enquanto isso, a frota segue crescendo, como mostra Frota circulante do Brasil chega a 82 milhões de veículos, e a operação de última milha continua sendo a ponta mais cara e mais exposta da cadeia logística.
Perguntas frequentes
Quantos motociclistas de aplicativo existem no Brasil?
Cerca de 405 mil pessoas, segundo o módulo especial da Pnad Contínua do IBGE com dados de 2025. O número praticamente dobrou desde 2022, quando eram 211 mil.
Quantos motociclistas de aplicativo têm previdência?
Apenas 79 mil, o equivalente a 19,4% do total, ou um em cada cinco. Considerando todos os motociclistas do país, plataformizados ou não, a cobertura é de 31%.
E os motoristas de aplicativo?
São 905 mil pessoas em 2025, crescimento de 9,8% sobre o ano anterior e de 26% em três anos. Apenas 25,5% têm cobertura previdenciária, contra 43,8% do conjunto dos motoristas do país.
Quem trabalha por aplicativo ganha mais?
Não. Em 2025, os motoristas ligados a plataformas trabalhavam 45,9 horas semanais e recebiam R$ 14,4 por hora. Os não plataformizados trabalhavam 40,4 horas e recebiam R$ 16 por hora.
Qual é a cobertura previdenciária média no Brasil?
Entre todas as pessoas ocupadas no setor privado, o índice é de 62,4%, bem acima dos 19,4% dos motociclistas de aplicativo.
O que significa ser trabalhador plataformizado?
É a classificação usada pelo IBGE para quem trabalha por meio de plataformas digitais, como aplicativos de transporte de passageiros e de entrega de comida e produtos.
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