Chinesas ocupam as fábricas que as montadoras tradicionais deixaram no Brasil
A BYD ergueu linha em Camaçari, no terreno da antiga Ford, e a GWM reativou a planta que era da Mercedes-Benz em Iracemápolis

O que você precisa saber
- A BYD ergueu sua linha em Camaçari, na Bahia, terreno da fábrica que a Ford fechou em 2021
- A GWM reativou em Iracemápolis a planta que era da Mercedes-Benz, fechada em dezembro de 2020
- A capacidade inicial de Camaçari é de 150 mil veículos por ano, expansível a 300 mil e projetada para 600 mil
- A GWM tem capacidade de 50 mil veículos por ano em Iracemápolis
- A BYD pagou R$ 287.816.458 por 4,6 milhões de metros quadrados ao governo da Bahia
Duas fábricas que passaram anos vazias voltaram a produzir carro no Brasil, e não pelas mãos de quem as construiu.
A BYD ergueu sua linha em Camaçari, na Bahia, no terreno onde a Ford encerrou a produção em 2021. A GWM reativou em Iracemápolis, em São Paulo, a planta que era da Mercedes-Benz, fechada em dezembro de 2020. A MG Motor tem produção contratada na antiga fábrica da Troller, em Horizonte, no Ceará, operada pela Comexport.
Os números das plantas
Camaçari começa com capacidade de 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil e projeto de longo prazo de 600 mil. Iracemápolis tem 50 mil unidades por ano. Somadas, as duas plantas iniciam com 200 mil unidades anuais de capacidade instalada.
Pela área de Camaçari, 4,6 milhões de metros quadrados, a BYD pagou R$ 287.816.458 ao governo da Bahia. Na inauguração, a empresa informou mais de 1.500 pessoas empregadas.
Por que fábrica usada
A escolha por planta desativada não é economia de fachada. Ela encurta o item mais caro de um projeto industrial: o tempo.
Estrutura civil pronta, subestação de energia dimensionada, licenças ambientais já concedidas e, principalmente, mão de obra com experiência automotiva na região. Em Camaçari, a cadeia de fornecedores instalada pela Ford continuava lá.
O que empurrou a decisão
A resposta está na tributação. O imposto de importação de eletrificados subiu em etapas até chegar a 35% em julho de 2026, equalizando a alíquota com a dos carros a combustão.
Marca que dependia integralmente de importação passou a ter duas opções: absorver a diferença na margem ou produzir aqui. As duas escolheram produzir. É a política industrial funcionando conforme o desenho, com o efeito colateral de reativar ativos ociosos.
O resultado no mercado
A conta já aparece no ranking. A BYD colocou três modelos entre os dez mais vendidos do Brasil em agosto, algo que exige rede, estoque e financiamento montados, não apenas preço competitivo.
O que observar
O índice de nacionalização de peças. Fábrica que monta com kit importado gera emprego de montagem; fábrica que compra local reconstrói cadeia. A diferença entre as duas define se a reocupação dessas plantas é industrial ou logística.
Perguntas frequentes
Quais montadoras chinesas produzem no Brasil?
BYD, em Camaçari (BA), e GWM, em Iracemápolis (SP). A MG Motor tem produção contratada na antiga fábrica da Troller, em Horizonte (CE), operada pela Comexport.
Qual a capacidade das fábricas chinesas no Brasil?
Camaçari começa com 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil e projeto de longo prazo de 600 mil. Iracemápolis tem capacidade de 50 mil unidades por ano.
Por que as chinesas escolheram fábricas desativadas?
Porque reduz prazo e custo. Estrutura civil, subestação de energia, licenças ambientais e mão de obra qualificada na região já existiam, o que encurta o tempo entre decisão e primeira unidade produzida.
Quanto a BYD investiu no Brasil?
A empresa pagou R$ 287.816.458 ao governo da Bahia por 4,6 milhões de metros quadrados em Camaçari, além do investimento na linha de produção.
Relacionadas

Hyundai HB20 fica em produção até 2028 e ganha versão de entrada abaixo de R$ 100 mil; o HB20S sai de linha
O Hyundai HB20 continua em produção na fábrica de Piracicaba (SP) pelo menos até a linha 2028, confirmou a montadora em 15 de outubro de 2026. O hatch passa a ser o modelo de entrada da marca, abaixo do i20, e deve ganhar nos próximos meses uma versão com preço inferior a R$ 100 mil, ainda dentro da linha 2027. O sedã HB20S será descontinuado, e a capacidade da fábrica vai para o SUV compacto Bayon, com produção nacional prevista para 2027.

Vendas de carros caem 5,7% na primeira quinzena de outubro; por dia útil, o mercado ainda cresce
As vendas de carros e comerciais leves somaram 103,2 mil unidades na primeira quinzena de outubro de 2026, queda de 5,7% sobre o mesmo período de 2025 e de 5,8% sobre a primeira metade de setembro, segundo dados do Renavam divulgados pela Bright Consulting em 16 de outubro. A queda vem do calendário: outubro teve um dia útil a menos que em 2025. Na média diária, foram 10,3 mil emplacamentos, 3,8% acima de um ano antes. A venda direta respondeu por 50,4% do total, e as marcas chinesas recuaram de 22,7% para 20,6% de participação.

Salão de Paris 2026: os carros da França que já têm caminho para o Brasil, do Hyundai Bayon ao Fiat Grizzly
O Salão de Paris 2026, 91ª edição do Mondial de l'Auto, acontece de 12 a 18 de outubro no Paris Expo Porte de Versailles. Entre as novidades, as que têm ligação concreta com o Brasil são o Hyundai Bayon, SUV que a Hyundai vai produzir em Piracicaba (SP) a partir do primeiro semestre de 2027; o BYD Dolphin G DM-i, hatch híbrido plug-in confirmado para Camaçari (BA) no início de 2027; e o Fiat Grizzly, que deve servir de base para as próximas gerações de Pulse e Fastback, ainda sem calendário nacional. Modelos como o VW ID. Tiguan e o Dacia Spring não têm previsão de venda no país.