EIXO MOTOR
FrotasAnálise

Localiza vai rodar 10 mil carros da BYD e é ela quem vai formar a tabela do elétrico usado

O acordo prevê cerca de 5 mil unidades por ano de Song Plus, Song Pro, Dolphin e Dolphin Mini em aluguel, assinatura, frota corporativa e, no fim do ciclo, na Localiza Seminovos

Localiza vai rodar 10 mil carros da BYD e é ela quem vai formar a tabela do elétrico usado
Imagem: Foto: Bingqian Li/Pexels

Dado central da análise

10 mil veículos

Híbridos e elétricos da BYD em dois anos, cerca de 5 mil por ano, é o tamanho do acordo que vai abastecer o mercado brasileiro de elétrico seminovo a partir de 2027.

O que você precisa saber

  • O acordo entre Localiza&Co e BYD prevê 10 mil veículos híbridos e elétricos em dois anos, cerca de 5 mil por ano
  • Quatro modelos entram na conta: BYD Song Plus, Song Pro, Dolphin e Dolphin Mini
  • Os carros vão para aluguel diário e mensal, assinatura Localiza Meoo, gestão de frota corporativa e, no fim do ciclo, Localiza Seminovos
  • A locadora priorizou híbridos sobre elétricos puros por causa do etanol e da distribuição desigual da rede de recarga
  • Um Song Plus híbrido 2024 já aparece na Localiza Seminovos por cerca de R$ 176 mil, contra R$ 249 mil a R$ 299 mil do equivalente novo
  • A demanda maior vem de clientes corporativos com compromisso ambiental e da assinatura; o varejo avança mais devagar
  • A rede brasileira passou de 20 mil pontos de recarga, com o carregador rápido em corrente contínua crescendo 166% em um ano
  • Dirley Ricci, diretor executivo de ativos, afirma que a transição será gradual e vai combinar diferentes tecnologias

A Localiza&Co fechou com a BYD a compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos em dois anos, algo como 5 mil unidades por ano.

A manchete é a compra. O fato relevante é o que acontece no fim da linha.

Quando esses carros saírem da frota, vai existir no Brasil, pela primeira vez, um estoque grande e padronizado de elétrico usado, com procedência conhecida e histórico de manutenção documentado. Quem vai precificar isso é a locadora, não o varejo. E o preço que ela praticar vira a tabela que todo mundo passa a usar.

O que entra e para onde vai

São quatro modelos: Song Plus e Song Pro, híbridos plug-in, e Dolphin e Dolphin Mini, elétricos puros.

Publicidade
Anúncio de Motriz Peças (fictício)
MOTRIZ PEÇASPeça no mesmo diaRede de distribuição em doze estados.Consultar peça

Dentro da operação, cada um serve a mais de uma linha:

Aluguel diário e mensal, que é o balcão tradicional.

Assinatura Localiza Meoo, o contrato longo para pessoa física e jurídica, que já responde por boa parte do negócio das locadoras, como mostramos no panorama do carro por assinatura.

Gestão de frota corporativa, que segue o mesmo desenho da terceirização de frota.

Localiza Seminovos, o braço de revenda, que é onde o ciclo se fecha.

Dirley Ricci, diretor executivo de ativos da companhia, resume a lógica: a transição será gradual e vai combinar tecnologias diferentes.

Por que mais híbrido que elétrico

A escolha tem explicação operacional.

O híbrido roda em qualquer lugar do país, com a rede de combustível que já existe e com o etanol que o Brasil tem de sobra. O elétrico puro depende de infraestrutura, e a infraestrutura brasileira, embora tenha passado de 20 mil pontos de recarga, continua desigual: o carregador rápido em corrente contínua cresceu 166% em um ano, mas segue concentrado no Sudeste, como já detalhamos no mapa dos eletropostos.

Para uma frota que precisa devolver carro em Goiânia, Belém e Campo Grande com a mesma previsibilidade, essa diferença é decisiva. É a mesma conclusão a que chegamos ao examinar quando a conta da eletrificação de frota fecha: rota previsível e recarga na base fecham; operação aberta ainda não.

O comportamento do mercado confirma a escolha. O país passou de um milhão de eletrificados, e três em cada quatro são híbridos. No varejo, o ranking dos híbridos mais vendidos mostra a mesma preferência. Quem não conhece a diferença entre as siglas encontra no guia dos híbridos o que muda de um sistema para o outro.

De onde vem a demanda

Não é do turista.

O cliente que puxa esse produto é a empresa com compromisso ambiental no contrato, que precisa mostrar frota eletrificada em relatório. Depois vem a assinatura, onde o cliente paga mensalidade e não quer discutir manutenção. O varejo de balcão, a pessoa física alugando por conta própria um elétrico que nunca dirigiu, avança bem mais devagar.

Isso importa porque muda a conta. Contrato corporativo tem prazo, quilometragem previsível e devolução programada. É exatamente o perfil que permite calcular o valor residual com alguma segurança, diferente do balcão, onde o carro roda de tudo.

O ciclo que ninguém está olhando

A frota das locadoras brasileiras gira em torno de 16 a 18 meses de idade média, um ritmo que examinamos em detalhe na renovação de frota e no anuário da ABLA.

Pelo calendário, as primeiras levas desses BYD chegam à revenda entre 2027 e 2028.

Já dá para ver o desenho. Um Song Plus híbrido 2024 aparece hoje na Localiza Seminovos por volta de R$ 176 mil, contra uma faixa de R$ 249 mil a R$ 299 mil do equivalente novo. São de 30% a 40% abaixo, o que está dentro do razoável para um seminovo de frota com pouco mais de um ano.

A questão é se esse desconto se mantém quando a oferta multiplicar. O mercado de usados vem batendo recorde, mas a curva de preço do elétrico depende de uma variável que a locadora não controla: quanto o carro novo vai custar quando o usado for vendido.

A vantagem brasileira

Há um ponto que separa esse caso do que deu errado lá fora.

A BYD nacionalizou a produção de bateria Blade em Camaçari. Isso significa peça no país, prazo de reposição menor e custo de reparo mais previsível, que são as três coisas que derrubam o valor de revenda de um elétrico quando faltam.

Uma locadora com 10 mil unidades da mesma marca também negocia condição de peça e de garantia que nenhum consumidor consegue sozinho. Se ela conseguir sustentar custo de manutenção baixo e apresentar o carro com histórico completo, o seminovo elétrico chega ao mercado com uma credencial que o importado avulso não tem.

Para quem opera frota própria e acompanha custo por quilômetro, é esse número que vai dizer se a conta fecha, não o preço de etiqueta.

O que observar

Três indicadores valem mais que o anúncio da compra.

O preço do zero quilômetro da BYD nos próximos 18 meses. Se continuar caindo, o residual desses 10 mil carros cai junto, e esse é o risco central, que tratamos em detalhe na análise do valor residual da frota eletrificada.

O laudo de bateria. Sem um padrão de saúde de bateria aceito pelo mercado, o comprador do seminovo não sabe o que está levando, e o que não se sabe se desconta no preço.

E a velocidade da rede de recarga fora do Sudeste. O elétrico usado vale mais onde dá para carregar. Enquanto a recarga rápida for regional, o valor de revenda também será.

Perguntas frequentes

Quantos carros da BYD a Localiza vai comprar?

Dez mil veículos híbridos e elétricos em dois anos, o que dá cerca de 5 mil unidades por ano. O acordo foi anunciado no início de 2026.

Quais modelos da BYD entram no acordo com a Localiza?

Quatro: Song Plus e Song Pro, que são híbridos plug-in, e Dolphin e Dolphin Mini, que são 100% elétricos.

Para onde vão esses carros dentro da Localiza?

Aluguel diário e mensal, assinatura Localiza Meoo, gestão de frota para empresas e, quando termina o ciclo de uso, a Localiza Seminovos, que é o braço de revenda.

Quanto custa um BYD híbrido seminovo da Localiza?

Um Song Plus 2024 aparece listado por volta de R$ 176 mil, contra uma faixa de R$ 249 mil a R$ 299 mil do equivalente zero quilômetro, o que representa de 30% a 40% abaixo do preço novo.

Por que a Localiza escolheu mais híbrido que elétrico puro?

Porque o híbrido funciona onde a recarga ainda não chegou e aproveita a rede de combustível que já existe. A distribuição dos carregadores rápidos segue concentrada no Sudeste, o que limita o elétrico puro em operação nacional.

Quem está comprando esse tipo de aluguel?

Principalmente empresas com metas ambientais no contrato e clientes de assinatura. A adoção no varejo, de pessoa física alugando por conta própria, avança mais devagar.

Quando esses carros chegam ao mercado de usados?

O ciclo típico de frota de locadora hoje gira em torno de 16 a 18 meses, então as primeiras levas devem aparecer na revenda entre 2027 e 2028.

Isso derruba o preço do elétrico usado?

Aumenta muito a oferta de um produto que hoje quase não existe no seminovo brasileiro. Preço depende de oferta e de demanda, e o risco maior não é o volume da Localiza, é o preço do carro novo continuar caindo enquanto esses carros envelhecem.

Fontes: Exame, Do aluguel à revenda: o plano da Localiza para rodar 10 mil carros da BYD no Brasil||BYD Brasil, Localiza&Co anuncia acordo com a BYD para a compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos||AutoIndústria, BYD acerta venda de 10 mil carros para a Localiza, 12 de fevereiro de 2026||Autopapo, aposta da Localiza pode impactar o mercado de carros elétricos usados||Declarações de Dirley Ricci, diretor executivo de ativos da Localiza&Co||InvestNews, Localiza e Movida ditam o avanço de marcas chinesas no Brasil
Localiza||BYD||frota eletrificada||seminovos||carro por assinatura||Song Plus||Dolphin Mini||valor residual
Compartilhar esta matéria
WhatsApp LinkedIn
Publicidade
Anúncio de Rodavia Pneus (fictício)
RODAVIA PNEUSAlinhamento em 40 minHora marcada, sem fila, em nove unidades.Ver unidades

Relacionadas

Transpetro entra no transporte rodoviário com frota de 33 caminhões-tanque a Diesel R e começa no Sul em 2027
Frotas

Transpetro entra no transporte rodoviário com frota de 33 caminhões-tanque a Diesel R e começa no Sul em 2027

A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, vai operar pela primeira vez no transporte rodoviário de combustíveis. A empresa investe cerca de R$ 43 milhões em 33 caminhões-tanque que vão rodar com Diesel R, combustível da Petrobras com conteúdo renovável, em parceria com a Budel Transportes. A operação começa em janeiro de 2027 em duas rotas no Sul, Repar ao Tepar, no Paraná, e Refap ao Tenit, no Rio Grande do Sul, com mais de 50 mil toneladas por mês. O contrato atende só à demanda da própria Petrobras.

18 de out de 20263 min de leitura
Movida lucra R$ 152,1 milhões no 3º trimestre e bate guidance; o que a prévia diz para quem gere frota
Frotas

Movida lucra R$ 152,1 milhões no 3º trimestre e bate guidance; o que a prévia diz para quem gere frota

A Movida divulgou em 13 de outubro de 2026 uma prévia não auditada do terceiro trimestre com lucro líquido de cerca de R$ 152,1 milhões, alta de 117% sobre o mesmo período de 2025 e acima do guidance de R$ 130 milhões a R$ 150 milhões. A receita bruta de locação foi recorde, de R$ 2,7 bilhões (mais 19%), o Ebitda chegou a R$ 1,8 bilhão (mais 21%) e a empresa vendeu cerca de 20,1 mil seminovos no trimestre. O resultado completo será publicado em 11 de novembro.

17 de out de 20262 min de leitura
Expo Abla 2026: locadoras se reúnem em 28 e 29 de outubro para discutir crédito, elétricos e reforma tributária
Frotas

Expo Abla 2026: locadoras se reúnem em 28 e 29 de outubro para discutir crédito, elétricos e reforma tributária

A Expo Abla 2026, 21ª edição do encontro da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, acontece em 28 e 29 de outubro no São Paulo Expo, em São Paulo. A programação inclui painéis com Anfavea, Fenabrave, ABVE e Fenauto, executivos de Stellantis, GM, GWM, BYD e Ford Pro, cenário econômico com Eduardo Giannetti, crédito, gestão de caixa e a preparação das locadoras para a reforma tributária. O setor responde por cerca de 25% dos emplacamentos de carros novos no Brasil e prevê comprar perto de 620 mil veículos em 2026.

15 de out de 20263 min de leitura