Custo por quilômetro de elétrico e de carro a combustão: a conta muda cinco vezes dependendo de onde você carrega
Com a bandeira verde de outubro e a gasolina a R$ 6,77 em Goiânia, o elétrico roda por R$ 0,097 o quilômetro carregando em casa e por R$ 0,27 no eletroposto rápido

Dado central da análise
Por km em casa contra R$ 0,49 na gasolina
O que você precisa saber
- Bandeira tarifária de outubro de 2026: verde, sem custo extra, após cinco meses de amarela
- Tarifa residencial convencional: R$ 0,89181 por kWh na Equatorial Goiás e R$ 0,78938 na Enel São Paulo
- Tarifa branca fora de ponta: R$ 0,72791 em Goiás e R$ 0,66924 em São Paulo
- Gasolina comum: média nacional de R$ 6,592 por litro e R$ 6,77 em Goiânia, pela ANP
- Etanol hidratado: média nacional de R$ 4,455 por litro e R$ 4,48 em Goiânia
- Relação etanol sobre gasolina em Goiânia: 66,2%, abaixo dos 70% de referência
- Eficiência dos elétricos mais econômicos pelo Inmetro: 0,39 MJ por quilômetro, cerca de 9,2 km/kWh
- Custo por quilômetro do elétrico carregando em casa: R$ 0,097 na tarifa convencional e R$ 0,079 na branca fora de ponta
- Custo por quilômetro do elétrico em eletroposto rápido: cerca de R$ 0,272
- Custo por quilômetro do hatch a gasolina na cidade: R$ 0,487
- Rede de recarga: 29.896 pontos em agosto de 2026, sendo 11.411 de recarga rápida
# Custo por quilômetro de elétrico e de carro a combustão: a conta muda cinco vezes dependendo de onde você carrega
A pergunta não é se o elétrico é mais barato de rodar. É onde você vai carregar.
Resposta rápida
Em outubro de 2026, com bandeira verde e sem custo extra na conta de luz, um elétrico eficiente roda por cerca de R$ 0,097 o quilômetro carregando na tomada de casa em Goiânia, e por cerca de R$ 0,079 se o dono estiver na tarifa branca fora do horário de ponta. Um hatch popular a gasolina roda por cerca de R$ 0,487 o quilômetro na cidade. Mas quem depende do eletroposto rápido paga cerca de R$ 0,272 por quilômetro, e aí a economia deixa de ser de cinco vezes e passa a ser de pouco menos da metade.
Os preços que entram na conta
Energia. A ANEEL anunciou em 25 de setembro que outubro de 2026 tem bandeira verde, sem custo extra, encerrando cinco meses seguidos de bandeira amarela. A tarifa residencial convencional da Equatorial Goiás é de R$ 0,89181 por kWh; na Enel São Paulo é de R$ 0,78938.
Quem está na tarifa branca, a modalidade horária opcional, paga menos fora do horário de ponta, que é justamente quando o carro fica na tomada à noite: R$ 0,72791 em Goiás e R$ 0,66924 em São Paulo. A diferença é de 18,4% e 15,2%.
Combustível. Na semana de 20 a 26 de setembro, o levantamento da ANP registrou média nacional de R$ 6,592 por litro na gasolina comum e R$ 4,455 no etanol hidratado. Em Goiânia, R$ 6,77 e R$ 4,48. A relação entre os dois é de 66,2%, abaixo dos 70% que servem de referência, o que torna o etanol vantajoso na bomba hoje.
Recarga pública. Aqui o número é mais incerto, porque não existe tabela oficial. Levantamentos de setor apontam faixa de R$ 1,50 a R$ 2,20 por kWh na recarga lenta em corrente alternada e de R$ 2,30 a R$ 2,85 na rápida em corrente contínua, com médias em torno de R$ 1,85 e R$ 2,50. Há operadores praticando valores abaixo disso e há cobrança por tempo de conexão em vez de por energia.
A conta, quilômetro a quilômetro
Os cálculos abaixo são da redação, feitos sobre os números oficiais citados. Usamos os preços de Goiânia e um elétrico eficiente de referência.
Os dois elétricos mais eficientes do país pelo Inmetro, o BYD Dolphin Mini e o Geely EX2, registram 0,39 MJ por quilômetro. Convertido para a unidade que o consumidor entende, isso dá cerca de 9,2 quilômetros por kWh.
Carregando em casa, tarifa convencional. R$ 0,89181 dividido por 9,2 dá R$ 0,097 por quilômetro.
Carregando em casa, tarifa branca fora de ponta. R$ 0,72791 dividido por 9,2 dá R$ 0,079 por quilômetro.
Carregando em eletroposto rápido. R$ 2,50 por kWh dividido por 9,2 dá R$ 0,272 por quilômetro.
Do outro lado, um Chevrolet Onix 1.0, que faz 13,9 km/l na cidade com gasolina e 9,9 com etanol pelo Inmetro.
Gasolina na cidade. R$ 6,77 dividido por 13,9 dá R$ 0,487 por quilômetro.
Etanol na cidade. R$ 4,48 dividido por 9,9 dá R$ 0,453 por quilômetro.
Gasolina na estrada. R$ 6,77 dividido por 16,7 dá R$ 0,405 por quilômetro.
O que esses números significam no fim do mês
Para quem roda 1.000 km por mês, o uso médio urbano brasileiro, a diferença fica assim.
Carregando em casa, o elétrico custa R$ 97 por mês de energia. O carro a gasolina custa R$ 487 de combustível. A economia é de R$ 390 por mês, ou R$ 4.680 por ano.
Carregando só em eletroposto rápido, o elétrico custa R$ 272 por mês. A economia cai para R$ 215 por mês, ou R$ 2.580 por ano.
Essa diferença de R$ 2.100 por ano entre os dois cenários é o dado mais importante desta matéria, e é o que quase nenhum material de venda apresenta. Quem mora em apartamento sem ponto de recarga na vaga, ou em casa alugada sem instalação própria, está comprando o segundo cenário, não o primeiro.
A rede de recarga cresceu, e isso muda o cálculo
O Brasil chegou a 29.896 pontos de recarga públicos e semipúblicos em agosto de 2026, segundo a ABVE em parceria com a plataforma Tupi. Desses, 11.411 são de recarga rápida em corrente contínua, o equivalente a 38,2% da rede.
O crescimento foi de 17,4% em três meses, e a recarga rápida avançou 32,6% no trimestre e quase triplicou em doze meses. Quase dois mil municípios já têm algum ponto e mais de mil têm recarga rápida.
A leitura correta desse dado é dupla. A rede deixou de ser um impedimento para viajar; e, ao mesmo tempo, quanto mais o motorista usa essa rede em vez da tomada de casa, menor fica a economia que ele comprou.
O que a conta não inclui
Três coisas ficam de fora deste cálculo e precisam entrar na decisão de compra.
A primeira é o preço do carro. Um elétrico de entrada custa mais que o hatch a combustão equivalente, e a economia de combustível precisa cobrir essa diferença antes de virar ganho; esse cálculo está na análise do custo total em cinco anos.
A segunda é a manutenção, que pende claramente para o elétrico, e está detalhada na comparação de revisão e manutenção.
A terceira é a instalação do carregador doméstico, que não é obrigatória, mas sem a qual o dono fica preso à tomada comum, bem mais lenta, ou ao eletroposto pago.
O que observar daqui para frente
A bandeira verde de outubro é temporária por natureza; a ANEEL revisa mensalmente, e cinco dos últimos seis meses foram de bandeira amarela. Cada R$ 0,10 a mais no kWh acrescenta cerca de um centavo por quilômetro ao elétrico.
Do lado do combustível, a relação etanol sobre gasolina em 66,2% favorece o etanol agora, mas ela oscila com a safra. E a régua tributária de 2027, tratada na análise do prazo do Imposto Seletivo, considera eficiência energética e emissões, o que mexe no preço de compra dos dois lados.
Onde esta conta se conecta
O tamanho desse mercado está na análise sobre o Brasil passar de 1 milhão de carros eletrificados, e a expansão da rede que sustenta a recarga fora de casa aparece na matéria sobre os pontos de recarga no país.
Quem está escolhendo o carro encontra preços e autonomia modelo a modelo no comparativo de elétricos, as alternativas sem tomada no comparativo de híbridos e os concorrentes a combustão no comparativo de hatches.
Perguntas frequentes
Quanto custa rodar um quilômetro com carro elétrico no Brasil?
Cerca de R$ 0,097 carregando em casa na tarifa convencional em Goiânia, ou R$ 0,079 na tarifa branca fora do horário de ponta. Em eletroposto rápido, o custo sobe para cerca de R$ 0,272 por quilômetro.
Quanto custa rodar um quilômetro com carro a gasolina?
Cerca de R$ 0,487 na cidade, considerando um hatch popular que faz 13,9 km/l pelo Inmetro e a gasolina a R$ 6,77 em Goiânia. Com etanol, o custo fica em R$ 0,453.
Carregar o carro elétrico em casa é muito mais barato que no eletroposto?
Sim, quase três vezes. Em casa o quilômetro sai por cerca de R$ 0,097; no eletroposto rápido, por cerca de R$ 0,272. Para quem roda 1.000 km por mês, a diferença entre os dois cenários chega a R$ 2.100 por ano.
Quanto se economiza por mês trocando a gasolina pelo elétrico?
Rodando 1.000 km por mês, cerca de R$ 390 carregando em casa e cerca de R$ 215 carregando só em eletroposto rápido.
Quantos pontos de recarga existem no Brasil?
São 29.896 pontos públicos e semipúblicos em agosto de 2026, dos quais 11.411 são de recarga rápida em corrente contínua, segundo a ABVE em parceria com a plataforma Tupi.
A bandeira verde muda muito a conta do elétrico?
A bandeira verde zera o custo extra na conta de luz. Cada R$ 0,10 a mais no preço do kWh acrescenta cerca de um centavo por quilômetro ao custo do elétrico, pelo cálculo da redação.
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