Custo total em cinco anos: em quantos quilômetros o elétrico paga a diferença de preço
Energia e revisão devolvem R$ 27 mil em 60 mil quilômetros, mas o seguro mais caro e a depreciação podem empurrar o ponto de equilíbrio para além dos cinco anos

Dado central da análise
O elétrico empata em 51.300 km, ou em 82.900 km com seguro mais caro
O que você precisa saber
- Diferença de preço do comparativo: R$ 23.300, entre BYD Dolphin Mini GS a R$ 119.990 e VW Polo Track a R$ 96.690
- Economia de energia em 60.000 km: R$ 24.240, considerando R$ 0,097 contra R$ 0,501 por quilômetro
- Economia de revisão em 60.000 km: R$ 2.992, entre R$ 1.947 do elétrico e R$ 4.939,43 do combustão
- Diferença de seguro medida em agosto de 2026: R$ 2.079,60 por ano entre BYD Dolphin GS e VW Nivus
- Faixa estimada do seguro de elétrico: 15% a 40% acima do equivalente a combustão
- Ponto de equilíbrio sem diferença de seguro: 51.300 km
- Ponto de equilíbrio com seguro R$ 2.080 mais caro por ano: 82.900 km
- Isenção total de IPVA em 2026: Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Acre e Tocantins
- São Paulo cobra 4% de IPVA de elétricos puros, sem isenção
- Depreciação de elétricos lançados em 2022: 49,3%, contra 13,4% dos carros a combustão do mesmo ano
- Depreciação dos lançados em 2024: BYD Dolphin Mini 15,4% e Volvo EX30 Core 22,2%
- Tempo em estoque do usado em janeiro de 2026: elétrico 47 dias, flex 53 e híbrido 54
# Custo total em cinco anos: em quantos quilômetros o elétrico paga a diferença de preço
O elétrico economiza combustível e economiza oficina. O que decide a conta é o que ele cobra de volta no seguro e na revenda.
Resposta rápida
Comparando um BYD Dolphin Mini GS, a R$ 119.990, com um Volkswagen Polo Track, a R$ 96.690, a diferença de preço é de R$ 23.300. A economia de energia e de revisões devolve cerca de R$ 27.200 em 60.000 quilômetros, o que faz o elétrico empatar por volta dos 51.300 quilômetros. Se o seguro do elétrico custar R$ 2.000 por ano a mais, como aconteceu em cotações medidas em agosto de 2026, o ponto de equilíbrio se desloca para cerca de 82.900 quilômetros, acima do que a maioria roda em cinco anos.
As quatro linhas da conta
Os cálculos deste texto são da redação, feitos sobre preços e tabelas oficiais, considerando 12.000 quilômetros por ano e cinco anos de uso.
Preço de compra. Dolphin Mini GS a R$ 119.990 na tabela de setembro; Polo Track a R$ 96.690. Diferença de R$ 23.300 contra o elétrico.
Energia e combustível. O Dolphin Mini faz 0,39 MJ por quilômetro pelo Inmetro, cerca de 9,2 km por kWh. Com a tarifa residencial da Equatorial Goiás a R$ 0,89181, isso dá R$ 0,097 por quilômetro, ou R$ 5.820 em 60.000 km. O Polo aspirado faz 13,5 km/l na cidade com gasolina; a R$ 6,77 o litro em Goiânia, são R$ 0,501 por quilômetro, ou R$ 30.060 no mesmo percurso. Economia de R$ 24.240 a favor do elétrico.
Revisões. A tabela oficial da BYD cobra R$ 361, R$ 1.225 e R$ 361 nas três revisões do Dolphin Mini até 60.000 km, somando R$ 1.947, com intervalo de 20.000 quilômetros. O Polo Track tem intervalo de 10.000 quilômetros e seis revisões no mesmo período, somando R$ 4.939,43. Economia de R$ 2.992 a favor do elétrico.
Seguro. Aqui a conta vira. Cotações simuladas em agosto de 2026 registraram R$ 5.133,20 por ano no BYD Dolphin GS contra R$ 3.053,60 no Volkswagen Nivus, diferença de R$ 2.079,60. No GWM Ora 5 contra o T-Cross, a diferença foi de R$ 1.728,30. Especialistas do setor estimam o seguro de elétrico entre 15% e 40% mais caro que o do equivalente a combustão.
O ponto de equilíbrio, em quilômetros
Somando energia e revisão, o elétrico economiza R$ 0,454 por quilômetro rodado. Dividindo os R$ 23.300 de diferença de preço por esse valor, o ponto de equilíbrio fica em 51.300 quilômetros, ou pouco mais de quatro anos no uso médio.
Acrescentando um seguro R$ 2.080 por ano mais caro, a economia líquida cai para R$ 0,281 por quilômetro e o equilíbrio se desloca para 82.900 quilômetros, o que, a 12.000 quilômetros por ano, levaria quase sete anos.
É por isso que a resposta honesta à pergunta "vale a pena" começa com outra pergunta: quanto você roda por ano, e quanto a sua seguradora cobra.
O IPVA muda a conta conforme o estado
O benefício fiscal é o item mais desigual de todos, e pode valer mais que a economia de combustível de um ano inteiro.
Isentam totalmente o IPVA de elétricos em 2026 o Distrito Federal, o Rio Grande do Sul, Pernambuco, a Paraíba, o Rio Grande do Norte, o Acre e Tocantins. O Rio de Janeiro cobra 0,5% para elétricos puros, contra 1,5% dos híbridos. O Paraná cobra 1,9%, ante alíquota cheia de 3,5%. A Bahia isenta elétricos de até R$ 300 mil. Minas Gerais isenta apenas os fabricados no estado.
São Paulo cobra os 4% cheios de elétricos puros e reserva a isenção apenas para híbridos flex de até R$ 250 mil. Santa Catarina não dá nenhum benefício.
Num carro de R$ 120 mil, 4% são R$ 4.800 por ano. Em cinco anos, R$ 24 mil, praticamente o valor da diferença de preço entre os dois carros deste comparativo. O mesmo carro no Distrito Federal ou no Rio Grande do Sul paga zero.
A depreciação, que é a linha mais pesada e a menos olhada
Nenhuma das contas acima pesa o que acontece na hora de vender, e é aí que o elétrico tem apanhado.
Dados da Fipe de julho de 2026 cruzados pelo banco BV mostram que elétricos lançados em 2022 perderam 49,3% do valor, e os lançados em 2023 perderam 45,6%. No mesmo período, carros a combustão lançados em 2022 perderam 13,4% e os de 2023 perderam 20%.
Em um carro de R$ 120 mil, essa diferença de cerca de 30 pontos percentuais significa R$ 36 mil a mais de perda, o que anula com folga toda a economia de energia e de oficina.
Há um contraponto importante, e ele é recente. Os modelos lançados de 2024 em diante vêm segurando valor bem melhor: o Dolphin Mini 2024 perdeu 15,4% e o Volvo EX30 Core perdeu 22,2%, em linha com os concorrentes a combustão. No Selo Maior Valor de Revenda de 2025, o Dolphin Mini liderou os elétricos com apenas 8,3% de perda.
A explicação com fonte é a guerra de preços das marcas chinesas, que derrubou o valor de tabela dos modelos de 2022 e 2023 e, com ele, o usado. Quem compra agora não compra aquela curva, mas também não tem como garantir que a próxima rodada de corte de preço não repita o efeito.
Um dado que vai na direção oposta e merece registro: em janeiro de 2026, o elétrico usado passava 47 dias em estoque, contra 53 do flex e 54 do híbrido. Vende mais rápido, ainda que por menos.
O veredito, por faixa de uso
Até 10.000 km por ano. O elétrico não se paga em cinco anos em nenhum cenário. A diferença de preço fica maior que tudo o que a economia devolve.
De 12.000 a 15.000 km por ano, com tomada em casa e seguro próximo. O elétrico se paga entre o quarto e o quinto ano. É o cenário em que a troca faz sentido financeiro.
Acima de 25.000 km por ano, com tomada em casa. O elétrico se paga em dois anos e passa a gerar caixa. É o caso de motorista de aplicativo e de frota urbana.
Em qualquer faixa, sem tomada em casa. O custo por quilômetro quase triplica, como mostra a conta detalhada do custo por quilômetro, e o equilíbrio sai do horizonte de cinco anos.
Em estado com isenção de IPVA. Some R$ 4 mil a R$ 5 mil por ano à economia e refaça a conta; o equilíbrio cai pela metade.
Onde esta conta se conecta
A comparação de energia está detalhada na conta do custo por quilômetro, e a diferença de oficina na comparação de manutenção e revisão. O veredito por tipo de uso está no guia por perfil de motorista.
Para escolher o modelo, o comparativo de elétricos e o comparativo de hatches trazem os preços de ponta a ponta. A parcela que sustenta o ticket mais alto aparece nos dados de financiamento de veículos em agosto, e a régua tributária de 2027 na análise do prazo do Imposto Seletivo.
Perguntas frequentes
Em quantos quilômetros o carro elétrico se paga?
Pelo cálculo da redação, em cerca de 51.300 quilômetros quando o seguro é equivalente, e em cerca de 82.900 quilômetros quando o seguro do elétrico custa R$ 2.080 por ano a mais.
Vale a pena comprar carro elétrico em 2026?
Depende de três coisas: quantos quilômetros você roda por ano, se tem tomada em casa e se mora em estado que isenta o IPVA. Acima de 25.000 km por ano com recarga doméstica, o elétrico se paga em dois anos. Abaixo de 10.000 km por ano, não se paga em cinco.
Quanto custa a mais o seguro de um carro elétrico?
Entre 15% e 40% a mais que o equivalente a combustão, segundo especialistas do setor. Em cotações de agosto de 2026, a diferença chegou a R$ 2.079,60 por ano entre o BYD Dolphin GS e o VW Nivus, mas ficou em R$ 50,70 entre o Dolphin Mini e o Geely EX2 Pro.
Carro elétrico desvaloriza mais que carro a combustão?
Os lançados em 2022 e 2023 sim, com perdas de 45,6% a 49,3% contra 13,4% a 20% dos carros a combustão. Os lançados de 2024 em diante vêm segurando valor em linha com a combustão: o Dolphin Mini 2024 perdeu 15,4%.
Quais estados isentam o IPVA de carro elétrico?
Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Acre e Tocantins isentam totalmente. Rio de Janeiro cobra 0,5%, Paraná cobra 1,9% e a Bahia isenta elétricos de até R$ 300 mil. São Paulo cobra os 4% cheios.
A economia de revisão compensa o preço mais alto do elétrico?
Sozinha, não. A economia de revisão até 60.000 km é de cerca de R$ 2.992, enquanto a diferença de preço é de R$ 23.300. É a soma com a economia de energia, de R$ 24.240, que fecha a conta.
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