Consórcio de veículos passa de 10 milhões de participantes ativos pela primeira vez; carta média de carro sobe para R$ 76,1 mil
Dados da ABAC até setembro mostram alta de 8,5% em um ano, crédito de R$ 115,8 bilhões nos leves e queda de 9,2% nas cotas de pesados, puxada por caminhões

O que você precisa saber
- O consórcio de veículos superou 10 milhões de participantes ativos em setembro de 2026, recorde da série da ABAC
- Em um ano o número subiu 8,5%, de 9,02 milhões para mais de 10 milhões
- Foram vendidas 2,8 milhões de cotas de janeiro a setembro, 6,3% a mais que no mesmo período de 2025
- Nos carros e comerciais leves há 5,7 milhões de consorciados e a carta média subiu 17%, para R$ 76,1 mil
- As motos somam 3,3 milhões de participantes, e as contemplações dariam para comprar uma em cada três motos vendidas no país
- Os pesados foram na direção contrária: cotas vendidas caíram 9,2% e o crédito comercializado recuou 10,8%
O consórcio de veículos passou de 10 milhões de participantes ativos em setembro de 2026, marca inédita no levantamento da ABAC, a associação das administradoras. Um ano antes eram 9,02 milhões, o que dá alta de 8,5%. De janeiro a setembro, o sistema vendeu 2,8 milhões de cotas, 6,3% acima das 2,7 milhões do mesmo período de 2025.
O número aparece num momento em que o crédito tradicional também está aquecido: o financiamento de veículos teve o melhor agosto em 15 anos. Em setembro, a associação já tinha mostrado crescimento de 7% nas adesões até agosto, com os pesados perdendo fôlego.
Carros: carta maior e um quarto do mercado
Os veículos leves respondem por 57% dos consorciados, com 5,7 milhões de participantes ativos (+10,4%). O crédito comercializado no segmento chegou a R$ 115,8 bilhões, alta de 15,9%.
O dado que mais chama atenção é o valor da cota. O tíquete médio subiu 17% em um ano e chegou a R$ 76,1 mil em setembro, sinal de que o consorciado está mirando carros mais caros, em linha com o avanço dos SUVs e dos eletrificados nas vendas de setembro.
As contemplações de leves passaram de 572 mil no ano. Em potencial, isso equivale a 26,6% dos carros e comerciais leves vendidos no país. Vale a ressalva: contemplado não é sinônimo de compra imediata, porque parte dos participantes guarda a carta para usar depois.
Motos: uma em cada três
O consórcio de duas rodas tem 3,3 milhões de participantes (+6,3%), 33,4% do total. O crédito somou R$ 25,1 bilhões (+9,3%) e as cotas vendidas chegaram a 1,2 milhão (+7,3%). As mais de 504 mil contemplações permitiriam comprar cerca de uma em cada três motos vendidas no Brasil, mercado que vive o melhor ritmo de produção em mais de uma década.
Pesados na contramão
Nos pesados, a história é outra. Os participantes ativos subiram 4,8%, para 957,2 mil, mas as cotas vendidas caíram 9,2%, para 139,1 mil, e o crédito recuou 10,8%, para R$ 34,4 bilhões. Os caminhões, 41% do segmento, venderam 57 mil cotas, com R$ 14,1 bilhões em crédito. A ABAC liga o recuo à instabilidade do transporte de cargas e do agronegócio, o mesmo quadro que levou a Mercedes-Benz a prever vendas 10% menores na Fenatran.
O que explica o recorde
Com a Selic em dois dígitos, o consórcio vira alternativa para quem não precisa do veículo imediatamente: não há juros, só taxa de administração. A ABAC diz esperar resultado positivo no segundo semestre, apoiado no desemprego baixo, e trata o produto como ferramenta de planejamento de médio e longo prazo. O risco no horizonte é o mercado de carros desacelerar, como sugere a queda de 5,7% na primeira quinzena de outubro.
Também nesta quinta, as locadoras mostraram outro motor das vendas: elas compraram 35,7% mais carros até setembro.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas participam de consórcio de veículos no Brasil?
Mais de 10 milhões em setembro de 2026, segundo a ABAC. É a primeira vez que o sistema passa dessa marca; um ano antes eram 9,02 milhões.
Qual é o valor médio da carta de crédito de consórcio de carro?
A carta média dos consórcios de veículos leves chegou a R$ 76,1 mil em setembro de 2026, alta de 17% em relação a um ano antes, o que mostra procura por cotas de valor maior.
Quanto do mercado de carros sai pelo consórcio?
As mais de 572 mil contemplações de leves no ano correspondem, em potencial, a 26,6% dos carros e comerciais leves vendidos no Brasil. Contemplação é potencial de compra: o consorciado pode usar o crédito em outro momento.
O consórcio de caminhão também cresceu?
Não. Os pesados venderam 139,1 mil cotas até setembro, queda de 9,2%, e o crédito caiu 10,8%, para R$ 34,4 bilhões. A ABAC atribui o recuo à instabilidade no transporte de cargas e no agronegócio.
Consórcio é melhor que financiamento?
Depende do prazo. O consórcio não cobra juros, só taxa de administração, mas o bem só chega na contemplação, por sorteio ou lance. O financiamento entrega o veículo na hora e cobra juros, hoje altos com a Selic em dois dígitos.
Por que o consórcio cresce com juros altos?
Com crédito caro, quem pode esperar troca os juros do financiamento pela taxa de administração do consórcio. A ABAC cita também o desemprego baixo como sustentação da demanda.
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