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Roubo de cargas em 2026: Rio passa São Paulo e Sudeste concentra 77% do prejuízo no semestre

Levantamento da nstech mostra o crime migrando para o perímetro urbano e para a madrugada, com medicamentos em alta; seguradoras pagaram R$ 634 milhões em indenizações de RCTR-C no período

Roubo de cargas em 2026: Rio passa São Paulo e Sudeste concentra 77% do prejuízo no semestre
Imagem: Foto: Sergei Skrynnik/Pexels

Dado central da análise

77,2%

Do prejuízo com roubo de cargas no 1º semestre de 2026 ficou no Sudeste; um ano antes, eram 60,5%.

O que você precisa saber

  • O Sudeste concentrou 77,2% do prejuízo com roubo de cargas no 1º semestre de 2026, contra 60,5% em 2025
  • O Rio de Janeiro lidera, com 36,6% do valor roubado no país; em 2025 eram 16,1%
  • São Paulo caiu para 30,9%, e Minas Gerais ficou com 9,3%
  • Trechos urbanos passaram de 20,4% para 39,6% do prejuízo
  • A madrugada responde por 32,9% das perdas; um ano antes, eram 14,4%
  • Medicamentos saltaram de 2,8% para 19% do prejuízo; cigarros caíram de 26,4% para 6,3%
  • A BR-101 concentrou 17,1% do valor roubado
  • Seguradoras pagaram R$ 634 milhões em indenizações de RCTR-C no semestre

O roubo de cargas no Brasil mudou de endereço e de horário em 2026. Dados da nstech, empresa de tecnologia para logística que acompanha operações monitoradas, mostram que o Sudeste concentrou 77,2% do prejuízo no primeiro semestre, contra 60,5% um ano antes. E, dentro da região, o Rio de Janeiro passou São Paulo.

Rio assume a liderança

O estado fluminense respondeu por 36,6% do valor roubado no país, mais que o dobro dos 16,1% de 2025. São Paulo recuou de 34,2% para 30,9%, e Minas Gerais ficou com 9,3%. Quatro municípios fluminenses aparecem entre os dez com maior prejuízo: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu somam 31% do total nacional. Só a capital responde por 20,1%.

No sentido oposto, o Norte caiu de 16,7% para 2,3%, e o Pará, de 12,8% para 2,4%. O mapa do risco ficou mais concentrado, o que muda a conta de quem precifica frete e seguro por rota.

Mais cidade, mais madrugada

A mudança de perfil é o dado mais relevante para o transportador. Os trechos urbanos passaram de 20,4% para 39,6% do prejuízo. A madrugada saltou de 14,4% para 32,9%, enquanto a noite caiu de 38,6% para 24,5%. A quinta-feira concentrou 22% dos casos.

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| Indicador (1º semestre) | 2025 | 2026 | | --- | --- | --- | | Participação do Sudeste | 60,5% | 77,2% | | Rio de Janeiro | 16,1% | 36,6% | | São Paulo | 34,2% | 30,9% | | Trechos urbanos | 20,4% | 39,6% | | Madrugada | 14,4% | 32,9% | | Medicamentos | 2,8% | 19% | | Cigarros | 26,4% | 6,3% | | BR-101 | 10,8% | 17,1% |

O que está sendo levado

Carga fracionada e diversificada lidera, com 36,6% do prejuízo, seguida de alimentos (24,6%). O salto veio dos medicamentos, que foram de 2,8% para 19%: carga de alto valor, fácil de revender e muitas vezes transportada em veículos menores, na última milha. Cigarros (de 26,4% para 6,3%) e eletrônicos (de 7,9% para 1,5%) perderam espaço.

Nas rodovias, a BR-101 respondeu por 17,1% do valor roubado e a BR-116, por 8,2%. Rotas dentro do mesmo estado, como SP a SP e RJ a RJ, somam 28,8%.

A conta do seguro

Dados da CNseg e da FenSeg mostram o custo que chega às seguradoras. No semestre, o RC-DC, que cobre desaparecimento de carga, arrecadou R$ 657,7 milhões e pagou R$ 248,6 milhões em indenizações. O RCTR-C, de acidentes, indenizou R$ 634 milhões. Em 2025 inteiro, os prêmios somaram R$ 1,4 bilhão.

Desde 1º de julho, a comprovação dos seguros obrigatórios de carga passou a ser exigida com base na Lei 14.599/2023. Com o risco concentrado em poucas rotas, é provável que o preço do RC-DC fique mais sensível ao trajeto declarado.

O que muda para transportadoras

Para quem opera no Rio e na Grande São Paulo, o gerenciamento de risco precisa olhar a entrega urbana com o mesmo cuidado que a estrada. Isso passa por janelas de entrega que evitem a madrugada, escolta e isca eletrônica em cargas de alto valor e telemetria usada para gestão, não só para rastrear.

Tudo isso entra no custo por quilômetro do caminhão num momento em que o frete já roda abaixo do custo. Quem monitora os indicadores da frota tem mais argumento para renegociar seguro e prazo com o embarcador.

Perguntas frequentes

Qual estado tem mais roubo de cargas em 2026?

O Rio de Janeiro. No primeiro semestre de 2026, o estado respondeu por 36,6% do prejuízo com roubo de cargas em operações monitoradas pela nstech, à frente de São Paulo, com 30,9%.

Quanto do roubo de cargas acontece no Sudeste?

77,2% do prejuízo no primeiro semestre de 2026, contra 60,5% no mesmo período de 2025.

Quais cargas são mais roubadas?

Carga fracionada e diversificada (36,6% do prejuízo), alimentos (24,6%) e medicamentos (19%). Os medicamentos tiveram o maior salto: eram 2,8% um ano antes.

Em que horário acontecem mais roubos de carga?

Na madrugada, que passou a concentrar 32,9% do prejuízo, contra 14,4% em 2025. A noite caiu de 38,6% para 24,5%. A quinta-feira é o dia com mais ocorrências (22%).

Quais rodovias têm mais roubo de cargas?

A BR-101, com 17,1% do prejuízo, e a BR-116, com 8,2%. Rotas dentro do mesmo estado, como SP a SP e RJ a RJ, somam 28,8%.

Quanto o seguro pagou por roubo de cargas em 2026?

No primeiro semestre, o seguro RC-DC arrecadou R$ 657,7 milhões e indenizou R$ 248,6 milhões. O RCTR-C pagou R$ 634 milhões em indenizações, segundo CNseg e FenSeg.

O seguro de carga é obrigatório?

Sim. Desde 1º de julho de 2026 a comprovação dos seguros obrigatórios do transportador passou a ser exigida, conforme a Lei 14.599/2023.

Fontes: nstech, levantamento de roubo de cargas em operações monitoradas, primeiro semestre de 2026; CNseg e FenSeg, dados de seguros de transporte do primeiro semestre de 2026; Blog do Caminhoneiro, 29 de setembro de 2026; Exame, 8 de setembro de 2026
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